Opinião: Beartown A cidade dos grandes sonhos de Fredrik Backman

SINOPSE: As pessoas dizem que Björnstad, a Cidade do Urso, está acabada. A pequena localidade aninhada nas profundezas da floresta tem vindo lentamente a perder terreno para as árvores, sempre invasoras. Mas junto ao lago existe um velho rinque, construído há gerações pelos trabalhadores que fundaram a cidade. E esse rinque é o motivo pelo qual as pessoas acreditam que o dia de amanhã será melhor do que o de hoje. A equipa de juniores de hóquei no gelo está prestes a competir nas meias-finais nacionais e tem realmente hipóteses de vencer. Todas as esperanças e sonhos deste lugar repousam agora sobre os ombros de uma mão-cheia de rapazes adolescentes.

Mas ser o responsável pelas ambições da povoação inteira é um fardo pesado, e o jogo das meias-finais torna-se o catalisador de um ato violento, que traumatizará uma rapariga e deixará Björnstad em pé de guerra. São feitas acusações que, como uma pedrada no charco, percorrem a cidade, afetando todos.

Beartown explora os grandes desejos que unem uma comunidade pequena, os segredos que a separam e a coragem necessária para um indivíduo lutar contra a corrente.

Quem já me conhece sabe o quando eu adoro o Fredrik Backman, desde que li o livro «A Minha Avó Pede Desculpa», foi amor à primeira linha... Mal vi que ia sair um livro novo fiquei logo de cabeça perdida!! 

Estou habituada a que os seus livros sejam uma espécie de fábula introspectiva, normalmente com um choque hilariante entre gerações, histórias com idosos e crianças, e com várias nuances à mistura: drama, humor, introspectividade, aventura, sem num ambiente muito leve e brincalhão.

Mal li a sinopse fiquei surpresa pela conotação violenta da mesma, e só a forma como começa: 
"Uma noite, em finais de março, uma adolescente pegou numa caçadeira de canos duplos e puxou o gatilho. Esta é a história de como chegámos a esse momento."

Tipo... o que é isto? Num livro do benigno Fredrik Backman, que escreve histórias enternecedoras? 

Pois bem, pessoal que esteja a contar com isso, esqueçam. Este livro não tem NADA a ver com os anteriores, é um verdadeiro estalo na cara, e é arrebatadoramente parecido com o «Por Treze Razões» - livro que ainda não li, mas hei de ler, já a série DEVOREI toda - este livro envolve violência, muita mesmo, uma comunidade que pouco mais é do que uma aldeia, com habitantes quebrados pela vida, violação entre adolescentes, abusos de poder, obsessões, chantagem, misoginia, assédio, homofobia, bem... violência, violência, violência!!! E uma tremenda obsessão com o hóquei de gelo, tanta, tanta, que pela primeira vez na vida estive mesmo perto de desistir de um livro de um autor que é um dos meus preferidos de sempre...

Este livro tem muitas mais personagens do que os anteriores, e então o ínicio da narrativa é explorar personagem x e a a sua ligação com o hóquei de gelo, personagem x - hóquei de gelo,  personagem x - hóquei de gelo,  personagem x - hóquei de gelo,  personagem x - hóquei de gelo, comunidade - hóquei de gelo,  personagem x - hóquei de gelo, hóquei de gelo, hóquei de gelo, hóquei de gelo, hóquei de gelo, hóquei de gelo!!!!!! 

Estava já a chegar às 100 páginas quando quase gritei: "voltas a falar sobre hóquei de gelo, Fredrik, eu juro que atiro o livro contra a parede!!".

Juro que chegou a ser saturante! Também não ajuda o facto de não ser um desporto que me encante por aí além, mas... caramba! No entanto pessoal, tenho de vos dizer: não desistam nessa parte do livro, mesmo que vos custe, pois tem um motivo de ser. Mais para a frente, quando finalmente a história se começar a desenrolar a sério, vão entender o motivo de tanta referência ao hóquei de gelo e o impacto que tem na vida daquelas personagens, na comunidade em si e o porquê de certos acontecimentos.




É um livro violento, sim, e muito, mas explora de uma forma soberba - como só o Fredrik consegue fazer - a intrinsecidade humana, de uma forma tão esmagadoramente honesta que até arrepia. Explora a humanidade no seu melhor, no seu pior, e o que anda pelo meio. É acima de tudo um livro sobre o que é ser humano, e é também uma vincada crítica à nossa actual - podre - sociedade... 

Adorei esta leitura, passado a fase da saturação de tanto se falar de hóquei de gelo, o enredo é viciante, brutal, arrepia, incomoda, mas fascina... Apesar de não ter sido a leitura leve a que estou habituada neste autor, gostei desta sua faceta, vamos lá ver de que forma ele nos conta surpreender futuramente.

👉🏻 Wook | Bertrand 👈🏻

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