Opinião: Um Fogo Lento | Paula Hawkins

"Olha só o que fizeste"

Edição especial: Inclui mensagem da autora aos leitores portugueses.
O livro mais aguardado do ano.
O novo êxito da autora bestseller mundial.
SINOPSE: Um homem é encontrado brutalmente assassinado em Londres, dentro de um barco, o que levanta uma série de questões sobre três mulheres que o conheciam.

Laura é a jovem problemática que foi vista pela última vez com a vítima. Carla é a tia inconsolável, ainda de luto por outro familiar falecido pouco tempo antes. E Miriam é a vizinha bisbilhoteira que encontrou o corpo coberto de sangue, mas que claramente esconde segredos da polícia.

Três mulheres com ligações distintas a este homem. Três mulheres consumidas pelo ressentimento que estão ansiosas por se vingarem do mal que lhes foi infligido. E, quando toca a vingança, mesmo as melhores pessoas são capazes dos atos mais terríveis.

Até onde irão estas mulheres para encontrar a paz de espírito?

E durante quanto tempo podem os segredos arder em fogo lento antes de irromperem em chamas descontroladas?

Ora muito bem: já li opiniões soberbas sobre os livros desta autora tão badalada, e já li opiniões menos boas. Então, com esta novidade aproveitei a oportunidade de me estrear com a autora e tirar as minhas próprias conclusões.

Antes de mais, tenho a dizer: é um bom thriller para quem nunca leu trhillers, ou só agora se esteja a estrear neste género, especialmente thrillers psicológicos. Não acredito que seja propriamente uma leitura entusiasmante para quem já tenha o hábito de ler thrillers e espere algo mirabolante e original. 

Tem um enredo no que ao thriller diz respeito bastante previsível, é uma espécie de mistura de Leslie WolfeChloé Esposito. No primeiro livro de Leslie Wolfe a dada altura a autora revela os pensamentos e ponto de vista do assassino, e nesta narrativa acontece o mesmo, - só não acontece com alguém em concreto, mas sim com um pequeno leque de suspeitos. Só tive uma ligeira dúvida sobre quem estava por detrás do assassinato durante uma parte da leitura, de resto confirmou-se as minhas suspeitas sobre em quem caia a culpa, dai eu dizer que é um bom livro para quem nunca leu thrillers ou está a começar, pois quem tem o hábito de ler este género talvez o considere mais como um drama familiar do que thriller. Até para mim, que só de há uns tempos comecei a ler thrillers, não me surpreendeu nesse sentido. E é uma narrativa com um bocado de Chloé Esposito, no sentido de ter personagens femininas - especialmente a Laura - completamente estrambalhadas, vocabulário desbocado e situações mirabolantes.

Do que eu mais gostei nesta história é o destaque que a autora deu às mulheres, quebrar o estereótipo de que as mulheres têm de ser recatadas e bem comportadas, boas esposas, serem elas habitualmente as vítimas de violência e de psicopatas, assassinatos brutais, violações, ora... também as mulheres podem ser violentas e psicopatas! Outra coisa de que gostei é o facto de ser um livro com livros, o amor de um par de personagens por livros é palpável, e alguns dos títulos aqui mencionados irei ler, sem dúvida, como é o caso de: «A Maldição de Hill House» de Shirley Jackson, «O Jardim de Cimento» de Ian McEwan, «Visão Adaptada ao Escuro» de Ruth Rendell, «Este País Não É para Velhos» de Cormac McCarthy, «Desaparecidos» de Tana French, ... e também o facto de haver literalmente um livro dentro deste livro.




Outro aspecto que apreciei - mais do que o suposto "thriller psicológico" que a mim não me cativou nem surpreendeu - foi o drama familiar e pessoal das personagens, que é muito bem explorado. Adorei especialmente a personagem Irene, uma velhota com um grande coração e outras personagens tão bem conseguidas e complexas, a forma como as suas vidas se interligam está muito bem conseguida, a crítica social e honestidade nos pensamentos das personagens, excelente!

No entanto, da minha parte, classifico este livro como um bom drama familiar e uma excelente crítica social, sem dúvida, numa narrativa fluída, interessante e até cativante, mas thriller psicológico ou mesmo policial? Não muito, apesar de se notar o esforço hercúleo da autora para atingir esse objectivo, e talvez por se notar tanto, não me tenha conquistado nesse sentido, mas como sou uma devoradora de dramas pessoais e familiares, conseguiu prender a  minha atenção até ao fim, e nesse sentido conquistou-me.
👉🏻 Wook | Bertrand 👈🏻

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