Opinião: A Espera | Michael Robotham

A vida que ela quer não é a sua…
SINOPSE: Agatha está grávida, trabalha a meio tempo como repositora num supermercado nos subúrbios de Londres e conta os dias até ao nascimento do bebé. Os seus turnos parecem intermináveis, o que aumenta a cada dia a sua frustração profissional.

Agatha anseia por uma vida como a de Meghan, uma cliente elegante e moderna que a deixa completamente deslumbrada. Meghan tem tudo: dois filhos perfeitos, um marido maravilhoso, um casamento feliz, um grupo de amigas e também escreve artigos num blogue popular sobre maternidade, artigos que Agatha lê com devoção todas as noites enquanto espera pelo namorado cada vez mais ausente, o pai do bebé.

Quando Agatha descobre que Meghan está de novo grávida e que as datas dos partos coincidem, ganha coragem para falar com ela, animada por finalmente terem algo em comum. Meghan vai descobrir que aquele momento sem importância que partilhou com uma funcionária do supermercado está prestes a mudar para sempre o curso do que até então era uma vida perfeita.

The Secrets She Keeps (o título original deste livro) foi adaptado pela BBC numa série de seis episódios, com Laura Carmichael (a personagem Lady Edith de Downton Abbey).


Ui, que leitura vertiginosa! Uma mistura de «Instinto» da Ashley Audrain e «Margo» de Tarryn Fisher, a dada altura eu já nem sabia em que acreditar, e o drama? Drama, drama, drama, drama e mais drama, até às mais recônditas profundidades da pérfida humana... um thriller psicológico arrebatador, carregado de psicopatia e muito cru e sem tabus.

Um dos temas que esta narrativa toca, é o roubo de bebés em hospitais, que parecia uma epidemia há uns tempos atrás, e que originou as actuais ultra medidas de segurança que agora as maternidades têm, incluindo as pulseiras electrónicas nos bebés. Lembro-me que há uns anos atrás, em Portugal - sem contar com o resto do mundo - houve uma vaga enorme destes casos, e não se falava de outra coisa, foi o pânico geral... 

Eu não quero ser mãe, nunca tive essa urgência, nem instinto, nem nada parecido, mas como mulher consigo perceber perfeitamente esse tipo de amor e a forma como quando uma mulher se torna mãe, a sua vida se divide ao meio e passa a viver através dos filhos, por isso nem imagino o sufoco de perder um filho, imagino o que é sentir aquela urgência de querer ter um filho, de ser o que mais queremos no mundo e quem sinta isso e não os possa ter - já eu sinto pânico absoluto só de pensar em ser mãe, mas consigo meter-me no lugar oposto -, ou pior: que um filho nosso se revele um psicopata do pior... a maternidade é algo tão, mas tão complexo....




Temos também aqui muito drama familiar, a exposição de que mesmo os casais, e neste caso influencers, que parecem ter uma vida perfeita que tanta gente inveja, nem sempre é bem assim, nunca sabemos o que se passa por detrás das portas de cada família, ou neste caso, quando o telemóvel sai do modo foto/vídeo/instagram ou quando se acaba de escrever uma publicação num blog. As aparências, iludem...

A psicopatia aqui presente, que derivada de um trauma disfuncional familiar é incrível, com uma conotação de crítica social bem pungente, especialmente no contexto religioso, quando a religião se sobrepõe ao bem estar da própria família... que voltas e reviravoltas! É um livro complexo, mas de leitura extremamente fluída e viciante, fiquei fã!

👉🏻 Wook | Bertrand 👈🏻

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