Opinião: O Ladrão da Eternidade | Clive Barker

Tem cuidado com o que desejas, pois pode tornar-se realidade...
SINOPSE: Quando, nos longos meses de Inverno, um rapaz chamado Harvey se sente a morrer de tédio, eis que surge um homem que o conduz para uma estranha e fascinante casa onde em cada dia passam as quatro estações do ano e não há regras, apenas divertimento e milagres. A casa de férias do Senhor Hood existe há mais de 1000 anos, oferecendo as boas-vindas a todas as crianças e satisfazendo todos os seus desejos. Mas quando Harvey encontra um lago povoado por criaturas que eram, outrora, crianças como ele, descobre que há um preço a pagar pela sua estadia na casa, e o que era um sonho tornado realidade, cedo se transforma num pesadelo…

Há um par de dias perguntei aqui qual o livro mais estranho e original que já tinham lido, dei algumas recomendações, e agora veio parar-me à mão mais um que vai para a lista e vou classificar numa tag aqui no blog este tipo de livros como "estranhamente original", e ainda entra também na categoria de pechincha, pois é uma boa leitura até 5€, que é o preço deste livro, sem promoções.

Este é um livro, tal como o livro «A Esposa Minúscula» carregado de metáforas, alegorias e parábolas, basicamente, uma lição de vida, para quem a quiser aprender... a lição é aproveitarmos o tempo presente, porque os anos passam a uma velocidade vertiginosa, umas estações a seguir às outras, e depois, um dia, olhamos para trás, muitos anos se passaram, e sentimentos que não aproveitámos a vida, e tal como eu já tinha comentado antes, algures aqui pelo blog, esse é um dos maiores medos que eu tenho na vida, sentir que não a estou a viver... e desde que entrei na idade dos 20 anos, que sinto isso com muita frequência... não sinto que não estou a viver, porque eu faço por isso, a minha história de vida dava já uma boa saga de livros, mas tenho um medo horroroso de sentir que não foi o suficiente, que podia ter feito mais, que há dias que eu desperdiço, e também sinto a ansiedade de, devido à vida em si, às limitações pessoais e financeiras, estar a desperdiçar o que podia ser melhor aproveitado... 

Também há o medo de aquilo que mais desejamos, não ser bem o que pensamos ser, porque eu já apanhei um desgosto muito grande, ainda hoje pesa muito em mim, de ter feito de tudo e ter abdicado de tanto para realizar aquele sonho, o que eu mais desejava ter-se tornado realidade, e esse realidade ser um pesadelo... no entanto, ao menos não vivo com a incerteza do "e se...?", que é algo que eu também não suporto... prefiro arrepender-me daquilo que não fiz, do que com aquilo que fiz...

Depois disso, já realizei outros sonhos, com muito sacrifício, mas esses valeram, e valeram bem, e sinto-me uma pessoa muito mais completa por os ter realizado. No entanto, algo que eu ando a reparar diariamente, e quem ler este livro com atenção, também vai captar essa mensagem, é que eu vivo demasiado com saudades de algumas coisas do passado, e ansiosa pelas coisas que que quero fazer no futuro, e raramente aproveito o tempo presente... este preciso momento em que estou a escrever isto, na companhia dos meus gatinhos, com um filme a passar na televisão, que já vi e gostei, mas está a dar só pela companhia do som, enquanto estou tapada pelas mantas no quentinho neste dia de inverno, ansiosa que chegue o verão, estou a dar por mim a respirar fundo e simplesmente desfrutar... porque amanhã vou estar no trabalho a desejar estar aqui, neste preciso momento...

Neste livro, Harvey , que é um rapaz inteligente e corajoso, mas descontente com a vida, ao ponto de estar a entrar numa espécie de depressão, farto do inverno e dos meses "mortos" em que reina o frio e os dias curtos, (como eu o compreendo!) é abordado por uma espécie de homem, que o leva para uma casa, onde lá tem tudo o que deseja... as manhãs são sempre Primavera, as tardes Verão, o anoitecer Outono e as noites Inverno... não seria fantástico se o nosso clima fosse assim? 
Pode comer tudo o que quiser e aquilo que mais gosta, e todos os dias, ao anoitecer, no clima do Outono, é Halloween/Dia das Bruxas (maravilha!!!),  todas as noites são Natal e recebe as prendas que mais deseja! E nunca envelhece, será sempre criança... O que pedir mais?

Mas, apesar de viver uma vida maravilhosa, com outras crianças, sempre a brincar e a desfrutar de dias bons, será que tem tudo o que quer, ou tudo o que precisa, e será que tem liberdade? E os pais? E o futuro? E será que, tendo sempre o que se deseja, e ser sempre tudo muito bom, ser sempre Verão, ser sempre Natal, depois não começa tudo a perder a sua essência especial e começa a tornar-se repetitivo, cansativo e rotineiro?...

E final, que sítio é aquele? Por que motivo Harvey sente que alguma coisa está mal, não o deixam questionar nada, e ele é muito curioso e onde estão as outras crianças todas, e que lago negro é aquele, e que criaturas estranhas são aquelas que vão aparecendo de vez em quando, e o que raio está a acontecer ali? E se tentar ir embora, o que acontece?

Li este livro num par de horas, adorei a introspecção, só espero vir a ter a oportunidade de ler mais livros deste autor, identifiquei-me imenso com Harvey... adorei!


10 comentários:

  1. Fiquei mesmo curiosa com este livro, a sinopse dá vontade de ler. E o preço... uma autêntica pechincha. Vou já colocá-lo no cestinho da wook :)

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  2. Parece ser um bom livro, mas algo na sua sinopse leva-me a ficar de pé atrás com uma possível leitura.

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    1. As sinopses têm muito que se lhe diga, o que achou da minha opinião? :)

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  3. Já há algum tempo que quero ler este livro mas ainda não tive oportunidade. Após ler a tua opinião penso que vou gostar muito!

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    1. Excelente!! :D
      Foi uma leitura mesmo interessante e original, que já deixa saudades... :)

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  4. Captei a mensagem através das tuas palavras, a emoção apossou-se de mim, fiquei ko, tudo isto porque não posso corrigir o passado que não vivi e pelo futuro que não vejo, viver cada dia intensamente é o que devemos fazer, mas nem sempre é possível. Assunto com pano para mangas, livro recomendável sem dúvida.

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    1. Volta e meia quando me sinto mais ansiosa pelo que está para vir, ou com receio do que está a ficar para trás, lembro-me desta história, respiro fundo e tento aproveitar o momento presente... :)

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