Opinião: Lockdown - Inimigo Invisível | Peter May

O thriller que previu o mundo em quarentena
SINOPSE: Escrito há mais de quinze anos, este thriller presciente e cheio de suspense decorre numa cidade em quarentena e explora a experiência humana sob o domínio de um vírus assassino.

Londres é o epicentro de uma pandemia global e a cidade está completamente confinada. a violência e a agitação espreitam por toda a parte e ninguém se encontra a salvo do vírus mortal que já ceifou milhares de vidas. Os hospitais estão sobrelotados e os serviços de emergência são impotentes.

O inspetor Jack MacNeil demitiu-se da polícia, está divorciado e preocupado com o filho, que parece ter contraído o vírus. No seu último dia de trabalho, é ainda enviado para resolver o homicídio de uma criança, aparentemente relacionado com um saco de ossos encontrado na obra de um hospital de emergência. O culpado cruel faz tudo o que pode para frustrar MacNeil e a corrida contra o tempo começa numa Londres em confinamento.

Quem deterá MacNeil primeiro: o vírus ou o assassino?

Gosto muito da escrita do autor Peter May, acho que são excelentes livros tanto para quem já aprecia o estilo thriller, como para quem quer começar a estrear-se com este género. Neste thriller, em que o enredo decorre no meio de uma pandemia demasiado parecida com aquela que estamos a viver, é extremamente intenso, numa leitura já de si intensa....

Devorei este livro em poucas horas, e senti que vivi cada página. Esta narrativa foi inspirada na epidemia da gripe das aves, H1N1 e também na gripe espanhola, foi escrito há 15 anos e, na altura, não foi publicado por a editora achar o conceito demasiado irreal - a sério?! - , apesar de ter uma verdadeira investigação científica e jornalística por detrás do enredo. Já nessa altura os cientistas nos andavam a avisar precisamente do perigo de uma pandemia como esta rebentar, e irrealista como, se a humanidade tem tido disto e até pior ao longo da nossa história?... serão os livros sobre a peste negra ou gripe espanhola irrealistas?

O que mais me impressionou nas previsões do autor caso acontecesse o que acabou por acontecer - só não se realizou, felizmente, a parte do enredo em que o vírus é quase 100% mortal para quem o apanha, poucos lhe sobrevivem - foi a previsão da ação humana ante uma pandemia, quarentena e isolamento/recolher obrigatório. As teorias de conspiração, os que se recusam a respeitar as regras, os que continuam a espirrar e tossir para o ar, os que vão a festas ilegais com centenas de pessoas sem sequer máscara de proteção, os que se recusam a proteger-se a si próprios e muito menos proteger os outros...





Mas provavelmente, a parte de prever a incrível capacidade para a estupidez e mesquinhice humana ante um cenário destes terá sido a parte mais fácil de prever...

A única vertente menos realista na narrativa - mas já tinha reparado nisto noutros livros do autor - é que ele força certas circunstâncias, tornando-as pouco naturais e credíveis para que haja o desfecho pretendido, por exemplo: o detective está sempre no sítio certo à hora certa para apanhar os culpados ou recebe as ajudas todas de que precisa de bandeja e no imediato, mas isto é o que habitualmente acontece também nos filmes e séries deste género.

É uma leitura sôfrega, fascinante, arrepiante, com um leve toque de humor e ironia que eu aprecio muito. Recomendo este autor sem reservas.

👉🏻 Wook | Bertrand 👈🏻

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