Opinião: Os Guardiões do Farol | Emma Stonex

Um farol abandonado
Três homens desaparecidos
Um mistério impossível, inspirado numa história real
SINOPSE: Na véspera de Ano Novo de 1972, um barco com dois tripulantes chega a Maiden Rock, um farol situado a quilómetros de distância da costa oeste da Escócia, para substituir um dos faroleiros. Porém, não se encontra ninguém no interior do farol para os receber.

Os homens deparam-se com uma torre vazia e estranhos factos por explicar. A porta de entrada está trancada por dentro. Uma mesa foi posta para apenas duas pessoas. O registo meteorológico do faroleiro chefe descreve uma forte tempestade em redor da torre, apesar de o céu ter estado limpo naquela semana. E todos os relógios pararam às 8h45.

Vinte anos depois, as mulheres dos faroleiros desaparecidos recebem a visita de um escritor determinado a desvendar o mistério. Movendo-se por entre os testemunhos das três mulheres e as últimas semanas dos guardiões do farol, segredos de longa data, que apenas as ondas parecem ter testemunhado, começam a vir à superfície. Irá o mar revelar os segredos dos três desaparecidos e trazer alguma paz às suas mulheres?

Inspirado numa inquietante história real, um thriller belíssimo e atmosférico sobre o misterioso desaparecimento de três homens e sobre as suas mulheres que ficaram para trás.

Antes de mais, terei de começar por dizer que a espectativa que eu tinha com esta leitura saiu algo defraudada... não é bem, bem, bem aquilo que eu tinha pensado que seria, além de que o "inspirado numa história real" neste caso é extremamente redundante... a autora pega em meia dúzia de factos reais, outros muito rebuscados - no entanto, nota-se bem o trabalho de pesquisa da autora, pois eu própria fui fazer a minha pesquisa após a leitura deste livro e dá para ver os pontos fortes de inspiração para esta narrativa - e então, como se do monstro do Frankenstein se tratasse, a autora junta tudo, real e imaginário, improvisa muito, altera datas, personagens, locais e com todos os pedaços dá vida a este livro. 

Houve efectivamente, em 1900, três faroleiros muito experientes que desapareceram sem deixar rasto, enquanto estavam ao serviço numa pequena ilha que servia de posto faroleiro, os seus corpos nunca foram encontrados, há anotações estranhas no diário de serviço dos faroleiros, um relógio parado a uma hora específica e alguma desarrumação nada habitual nos faroleiros que dava a entender que algo de grave tinha acontecido e que tinham deixado as suas tarefas a meio quando algo aconteceu.

O que a autora fez foi pegar num puzzle muito peculiar, apenas com meia dúzia de peças desirmanadas e montar um puzzle muito complexo, com muito drama familiar e pessoal e suposições. A autora inspirou-se nesse acontecimento para criar o thriller, mas não é um thriller histórico como eu pensava que seria.

No entanto, teria preferido que a autora tivesse pelo menos mantido a narrativa no período histórico original onde a acção verídica decorreu: em 1900. Ao invés, a autora escolheu os anos 70 para a sua narrativa, algo que fez com grande detalhe, atenção e mérito: roupas, músicas, estilo de vida, notícias, .... tudo incrivelmente realista.

Eis o farol e os homens que serviram de inspiração:

Thomas Marshall, James Ducat, Donald McArthur

Apesar de ter estado a contar que o desfecho fosse presumivelmente ficar em aberto, carregado de mistério - tal como a história original - esta narrativa tem um princípio, meio e fim. Muito humano, muito dramático, incrivelmente realista e um bocadinho sobrenatural.




Acompanhamos em primeira mão, capitulo a capitulo, o ponto de vista pessoal e íntimo de diversas personagens, tanto dos faroleiros como das suas mulheres. O drama familiar é esmagador, o enredo tem voltas e voltas e reviravoltas, mas tem um ritmo que não combina lá muito com o género thriller. A maior parte do livro, metaforicamente falando, é como se estivéssemos numa praia, num dia de maré baixa, em que a ondulação está tão calma que o mar parece um lago... vemos pequenas ondulações a abaterem-se na areia, a ir e a vir, ir e a vir, ir e a vir, mal fazendo espuma.... num ritmo quase monótono, para depois haver uma outra outra tempestade repentina que acaba tão rápido como começou, e depois lá voltamos novamente ao ritmo da calma ondulação... muito, muito drama familiar.

No meio de tudo isto, uma verdade é inegável: jamais na minha vida voltarei a olhar para um farol da mesma maneira! Fiquei completamente fascinada com a sua história e a história dos faroleiros, tanto destes como outros pelo mundo fora, irei explorar mais este tema, uma profissão - que eu acredito que já nem sequer exista - sobre a qual eu nunca tinha pensado, do que implica e as nuances, absolutamente fascinante!

👉🏻 Wook | Bertrand 👈🏻

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