Opinião: A Melodia do Pássaro Amarelo | Jennifer Rosner

Um romance extraordinário e comovente sobre a música, o silêncio e a esperança perante escolhas impossíveis
SINOPSE: Polónia, 1941. Róza e a sua filha de cinco anos, Shira, têm de se refugiar num celeiro quando os nazis iniciam a perseguição aos judeus. Escondida dia e noite, Shira tem dificuldade em permanecer quieta e em silêncio, com a música a percorrer-lhe o corpo e a quinta convidativa lá fora. Para a acalmar, Róza conta-lhe a história de uma menina num jardim encantado, onde um pássaro amarelo canta as melodias com que ela sonha. Neste mundo de fantasia, Róza consegue proteger Shira dos horrores que as cercam.

Até ao dia em que o abrigo deixa de ser seguro e Róza tem de tomar uma decisão impossível: manter Shira ao seu lado ou afastar-se para lhe dar uma hipótese de sobreviver. Inspirado nas histórias reais das crianças judias escondidas durante a Segunda Guerra Mundial, este romance é um relato impressionante do elo inquebrável entre mãe e filha. Deslumbrante e arrebatador, A Melodia do Pássaro Amarelo é uma prova do triunfo da esperança mesmo nos piores momentos.

Eis um bom livro sobre o holocausto para quem diz que não consegue ler este tipo de leituras "mais pesadas e traumáticas", pois é um livro que narra de uma forma mais lírica e leve, no entanto exacta e assertiva, partes deste genocídio indiscritível, tanto da perspectiva da mãe, como da filha de cinco anos.

É uma leitura que tanto dá para adultos como para os mais jovens que já tenham lido o Diário de Anne Frank, pois este livro não é mais violento ou explícito do que o Diário.

Eu, que já li tantos livros sobre esta temática, prefiro ler os que mostram sem tabus a extrema violência e até onde chega a perversidade humana. Gosto especialmente de ler relatos reais, biográficos, escritos na primeira pessoa. Este livro é inspirado em factos reais, mas não é um relato verifico, mas é sim uma investigação bem conseguida de vários relatos, locais, acontecimentos e histórias de vida por quem isto viveu, que a autora registou, e inspirada nessas histórias criou esta narrativa.

O livro é como uma rapsódia: muito lento de inicio, com muitas notas para ir desfrutando aos poucos e poucos, muitos detalhes, por vezes repetitivo, muitos sentimentos e emoções reprimidas... chega a uma parte em que parece não levar a lado nenhum... depois vamos avançando na história, com vários compassos e a mais de meio chegamos ao crescendo!




Depois, as notas finais, que nos emocionam, que nos comprimem o coração, que se grava em nós.

Fui apreciando mais a leitura conforme esta foi avançando, e mais para o meio já estava agarrada. Esta leitura fez-me lembrar um dos filmes da minha vida: «August Rush», adorei a brutal honestidade da narrativa e a carga sentimental entre mãe e filha, sem tabus.

Uma leitura diferente do habitual sobre a temática e uma boa aposta para miúdos e graúdos.

👉🏻 Wook | Bertrand 👈🏻

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