Opinião: A Biblioteca da Meia-Noite | Matt Haig

Prémio Goodreads para Melhor Livro de Ficção
Finalista dos British Book Awards para Melhor Livro de Ficção
Se pudesse escolher a melhor vida para viver, o que farias?
SINOPSE: No limiar entre a vida e a morte, depois de uma vida cheia de desgostos e carregada de remorsos, Nora Seed dá por si numa biblioteca onde o relógio marca sempre a meia-noite e as estantes estão repletas de livros que se estendem até perder de vista. Cada um desses livros oferece-lhe a hipótese de experimentar uma outra vida, de fazer novas escolhas, de corrigir erros, de perceber o que teria acontecido se tivesse escolhido um caminho diferente. As possibilidades são infinitas e vários horizontes se abrem à sua frente.

Mas será que algum desses caminhos lhe proporciona uma vida mais perfeita do que aquela que conheceu? Na altura da escolha final, Nora terá de olhar para dentro de si mesma e decidir o que de facto lhe preenche a vida e o que faz com que valha a pena vivê-la.

A Biblioteca da Meia-Noite transformou-se num bestseller a nível internacional, com um milhão de livros vendidos em todo o mundo.

Nunca pensei encontrar rival introspectivo da bruta condição humana para o Fredrick Backman, mas cá está ele: Matt Haig

A soberba sensibilidade de compreensão humana e honestidade com que, introspectivamente, expõe o que de melhor e de pior temos em nós.

Um dos motivos de eu gostar tanto de livros introspectivos, é por ter, desde que me lembro que existo, um enorme receio de, conforme for envelhecendo, viver com os remorsos de ter vivido uma vida não vivida... não sei porquê. Não sei porque me preocupa isto desde criança, não são coisas que habitualmente uma criança pense: "e se chegar à velhice com medo de não ter vivido a vida?", mas eu tenho este receio que me comprime desde que me lembro que existo. Mas não me deixo - habitualmente - esmagar por ele, e faço de tudo para viver uma vida sem arrependimentos.

Aprendo com os meus erros, assumo as responsabilidades, e sigo em frente, tentando dar o meu melhor em tudo o que faço, por mim, pelos meus, pelo mundo. Um dia de cada vez.

Outro motivo pelo qual este livro me abalou de tal forma que eu nem sei o que fazer comigo agora: é a forma gritantemente sincera com que aborda a temática da depressão. Vivo com ela, em mim e com a de outros que me rodeiam, já cheguei mesmo a estar internada um mês com uma depressão grave e esgotamento nervoso agudo, foi um total colapso mental que quase acabou com a minha existência, pois eu não comia, não dormia, só eu sei o que tinha passado e estava a passar, estava a literal e figurativamente a definhar. A carrada de medicação que me deram na altura foi tão grande, que eu nem me lembro de quase nada daqueles tempos do internamento e até posteriores, é como se tivesse deixado de existir, de ter consciência de mim e do mundo à minha volta.

A dada altura, felizmente, sai daquele marasmo, agarrei-me às pequenas coisas da vida de que eu me tinha esquecido, e a novas que conquistei, que ambicionei, e até me agarrei ao meu mau feitio, pois ajudou a não deixar que me derrotassem, nem sequer admitir ser eu própria a derrotar-me, e aqui estou e cá continuo, com dias muito difíceis aqui e ali, perda de esperança acolá e além, desmotivação e sensação de desvalorização de vez em quando, mas continuo...

Não aceito voltar a tomar qualquer tipo de medicação, medicação aquela que me deu cabo o cérebro, da minha capacidade de concentração e do meu corpo, e só em alturas stressantes e esgotantes auxilio-me em SOS com o diazepam, mais nada, pois a única coisa que não consigo mesmo controlar é a - mísera - qualidade do sono e os pesadelos, mas cá me vou aguentando, desde que me tornei vegan consigo controlar melhor as crises existenciais, agarro-me às pequenas coisas da vida, aos meus sonhos, desejos, objectivos, às novas amizades e uma das minhas fontes de orgulho e prazer é este blog e o meu projecto de doação de livros às bibliotecas e este livro fala sobre isso mesmo: da importância de valorizarmos a nossa vida, não a dos outros, não a que pensamos que devíamos de ter, a que merecíamos ter, a que era suposto termos, mas sim aquela que TEMOS, com as suas pequenas coisas, também as grandes, mas especialmente as pequenas... esta leitura também aborda indirectamente o Efeito Borboleta, que sempre me fascinou!





Pequenas alegrias, pequenas conquistas, pequenas alturas em que sentimos felicidade repleta, e só a conseguimos sentir, de vez em quando, porque anda de mãos dadas com a tristeza, e só se sente feliz que já se sentiu infeliz.

A sensibilidade deste autor para a verdadeira condição humana é arrebatadora... a forma como ele conseguiu desenvolver esta narrativa, de forma tão original e despretensiosa é delirante, a imaginação com que o fez, sem nunca escapar ao credível, desde física quântica a pura alegoria filosófica, mas de uma forma tão simples e acessível, a forma com que conseguiu criar esta miríade de histórias dentro de histórias para dar à sua personagem principal, Nora, a hipótese de confrontar os seus arrependimentos, de viver as vidas que podia ter vivido se tivesse tomado outras escolhas, tivesse seguido o coração ao invés dos receios, para ver se assim seria mais feliz é esmagadoramente fascinante. Viver não é nos limitarmos a estar vivos...

Música presente no livro

Será que, se tivermos tudo o que desejamos, seremos verdadeiramente felizes? A felicidade está nisso? Em ter tudo o que se quer? Será que sabemos realmente aquilo que queremos? Será que o propósito da vida é estar sempre feliz? Nesta leitura, mergulhamos numa profunda analogia, dentro de nós próprios.

Brutalmente metafórico, é uma leitura vertiginosamente avassaladora, quero mais, quero mais, quero mais!!

👉🏻 Wook | Bertrand 👈🏻

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