Opinião: A Invenção das Asas | Sue Monk Kidd

SINOPSE: Hetty, uma escrava do início do século XIX, sonha com uma vida para lá das paredes sufocantes da opulenta mansão Grimké.

Sarah, a filha dos Grimké, desde cedo que quer fazer algo pelo mundo, mas é sufocada pelos limites rígidos impostos às mulheres.

Tudo tem início quando Sarah faz onze anos e lhe dão Hetty, um ano mais nova, para ser sua aia. Nas décadas seguintes, cada uma à sua maneira, as jovens lutam por liberdade e independência. Moldando o destino uma da outra, vivem uma intensa relação de amizade marcada pela culpa, rebeldia, separação, os caminhos ínvios do amor e também pelo nascimento do movimento abolicionista que mudará as suas vidas para sempre. Será que a religião, a sociedade e a família podem enfrentar os sonhos de duas jovens?

Inspirada pela figura histórica de Sarah Grimké, Sue Monk Kidd transcende o registo histórico para nos oferecer um testemunho deslumbrante e poderoso da luta das mulheres e dos escravos em nome da liberdade. A Invenção das Asas é um triunfo da arte de contar histórias, abordando um tema sensível e atual, de uma forma honesta e poética.

Filmes, séries e documentários sobre a escravatura nos EUA e a respectiva segregação já vi muitos, mas por acaso livros nunca calhou ter lido nenhum - por algum motivo que nem eu percebo bem - visto ser uma temática que me interessa compreender, mas estou agora a corrigir esta situação - pois sinto que ao estarmos cientes da nossa história - especialmente a história referente à miséria e crueldade intrínseca humana - estamos a honrar a memória de quem por isso passou. 

Não podemos esquecer as partes mais macabras da nossa história e jamais permitir que se repita, especialmente sendo algo que ainda tem impacto na nossa sociedade nos nossos dias: a escravatura ainda existe em certas partes do mundo e a segregação/racismo é bem real!

Esta é uma história poderosa inspirada em personagens e acontecimentos reais que me arrebatou, não só nos entra pelo espírito adentro de uma forma que nos faz sentir que estamos a viver pessoalmente todos os acontecimentos, como também vivemos e sentimos a história de mulheres corajosas e destemidas que lutaram contra um mundo miserável e injusto, mesmo as mulheres caucasianas com estatuto social, de privilégios e famílias ricas, eram, acima de tudo "simplesmente" mulheres, o que de si já invalidava muita coisa, mas mesmo assim enfrentaram o mundo e lutaram pela diferença, pela justiça, dando os primeiros passos no activismo abolicionista e feminista.




Se já era difícil fazer a diferença no mundo sendo mulher, imaginem o que era ser mulher, de etnia negra e escrava.... com esta leitura vamos conhecer intimamente a história de vida de Hetty, escrava negra filha de escravos já há várias gerações, e de Sarah, que mesmo tendo nascido e vivido rodeada de escravatura como parte da sua vida e da cultura social em que se integrava, com uma casa cheia de escravos, pais donos de escravos, não compreendia nem aceitava que um ser humano pudesse ser dono de outro e rebelou-se.

Sarah Moore Grimké (1792–1873) e Angelina Emily Grimké (1805–1879) foram mulheres incríveis, que fizeram a diferença no mundo, mesmo com o mundo misógino contra elas.


Um livro carregado de sentimento, mulheres fortes e alguma esperança no meio de tanto sofrimento... Citando o professor Julius Lester (professor activista direitos civis): 

«A História não são apenas factos e acontecimentos. A História é também uma dor no coração e repetimos a História até sermos nós mesmos capazes de fazer nossa a dor no coração do outro»

👉🏻 Wook | Bertrand 👈🏻

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