Opinião: Até à Eternidade - Viajar pelo mundo à procura da boa morte | Caitlin Doughty

Ilustração: Landis Blair
SINOPSE: O que significa tratar os mortos com dignidade?
Fascinada pelo nosso medo generalizado da morte, Caitlin Doughty partiu à descoberta de como outras culturas lidam com a morte e cuidam dos mortos. Até à Eternidade é uma viagem imersiva pelo mundo que nos dá a conhecer rituais fascinantes e poderosos quase desconhecidos.

Na Indonésia rural, acompanha um homem na tarefa de limpar e vestir o corpo mumificado do seu avô. Em La Paz, conhece as ñatitas, crânios humanos que fumam cigarros e concedem desejos, e em Tóquio descobre a cerimónia do kotsuage, em que os familiares usam pauzinhos para separar os ossos maiores dos seus entes queridos das cinzas crematórias.

Com um humor negro e curiosidade sem limites, a autora investiga a história funerária do mundo e analisa como as variadas tradições, do Día de los Muertos do México ao enterro no céu dos Himalaias, nos ajudam a ver os nossos próprios costumes sob uma nova perspetiva.

Primorosamente ilustrado pelo artista Landis Blair, este livro é uma aventura pelo mórbido desconhecido, uma história sobre as muitas maneiras fascinantes pelas quais as pessoas de todos os lugares enfrentam o desafio humano da mortalidade.

Li este livro de uma assentada, devorei-o com gula, para mim é o melhor livro que existe para compreender a morte e ajudar no luto, desmistificar o nosso receio natural da morte que nos rodeia, aprendermos como em várias partes do mundo lidam com ela e focarmos a nossa atenção não no medo da morte, mas no receio de viver uma vida não vivida... 






Até eu, que tenho algumas tendências mórbidas, fiquei bastante chocada com alguns rituais mortuários que há por este mundo fora, tal como: dormir no mesmo quarto com cadáveres de familiares, sacrifícios animais, o facto de haver alta tecnologia fúnebre e hotéis para mortos, compostagem de cadáveres, ... entre tantas outras curiosidades que me choravam e fascinaram, a autora escreve com desapego, sentido de humor e ironia que me cativaram imediatamente, é brutalmente honesta e no entanto manteve sempre o respeito, emoção e sentimento em toda a narrativa, senti como se tivesse vivido todas aquelas viagens e experiências junto da autora, autora essa, enquanto agente funerária e activista da indústria funerária, mostra também aqui a forma como há um poderoso negócio por detrás da morte, sendo que o processo de luto fica suspenso com tanta burocracia e o tabu da própria morte.

A autora tem um canal yotube: Caitlin Doughty – Ask A Mortician, adoro-a! ♥

👉🏻 Wook | Bertrand 👈🏻

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