Opinião Documentário: Um de nós

2017 | 13+ | 1 h 35 min | As realizadoras Heidi Ewing e Rachel Grady foram nomeadas para um Óscar pelo seu documentário de 2006, "Jesus Camp".

SINOPSE: Três judeus hassídicos enfrentam o ostracismo, a ansiedade e o perigo quando abandonam a comunidade ultraortodoxa onde viveram experiências traumáticas.

Esta é o documentário ideal para quem adorou “Unorthodox” e já experimentou ver “Shtisel”. Mostra o lado mais negro desta comunidade. Podem também ver primeiro este documentário se não viram estas duas séries para ficarem já com uma ideia da questão em geral. Tenho de referir que, existem várias ramificações de judaísmo, tal como existem de outras religiões, não podemos condenar toda uma religião por uma ou outra comunidade/ramificação. Temos de respeitar quem gosta de viver nestas comunidades, mas também se deveria de respeitar quem não o quer fazer, mesmo que tenham nascido nelas...

Uma coisa vos digo, tudo o que é extremista e limita ao extremo a liberdade é pura e simplesmente assustador e arrepiante... não consigo conceber a ideia de que humanos, em pleno século XXI são geridos e manipulados de tal forma que crescem sem saber absolutamente nada do mundo ao seu redor, só conhecem aquela vida, só conhecem aquele mundo, lavagens cerebrais desde o ínicio da vida, medo do castigo de Deus caso não se siga a religião à risca, regras, regras, regras, imposições, imposições, imposições... e não me refiro apenas aos judeus ultra-ortodoxos, mas todas as religiões/seitas que seguem o mesmo meio de manipulação e supressão de direitos e liberdades.

Haver pessoas que cresceram desta forma, que pouco ou nada sabem do que se passa "lá fora", que pouco  ou nada sabem do próprio corpo! Da própria vida! Ciência e matemática zero, filosofia então é negativo absoluto! E mesmo assim arranjam coragem para fugir, para conceber por iniciativa própria que algo está errado, muitas vezes sem ter meios de comparação, é incrível! É de uma coragem fabulosa e inacreditável, tenho uma bruta admiração por estas pessoas.

Eu sou muito curiosa por natureza, e tento sempre ver as diversas temáticas com que vivemos de várias perspectivas, para tirar as minhas próprias conclusões e crenças, fui baptizada e os meus pais tentaram que eu andasse na catequese, mas já naquela altura eu tinha demasiadas perguntas que não convinham à religião cristã, nunca gostei, nunca acreditei, nunca me senti parte, nem dessa religião nem de nenhuma outra, respeito quem tenha alguma, até admiro quem tenha esse tipo de fé, eu não tenho. Só não me considero ateia pois gosto de acreditar que existem coisas sem explicação no mundo, sendo que me inclino mais para o agnóstico.

Os meus pais sempre me deram liberdade para eu acreditar no que eu quisesse, nunca me impingiram nada e encorajaram sempre os meus estudos, como seria se, tendo eu esta personalidade, nem visse limitada de tudo isto? E mesmo assim dou por mim muitas vezes deprimida, algumas vezes sem esperança, o mundo é um lugar difícil, tão difícil, tão arrebatador, e quanto mais ganho conhecimentos sobre o mundo, aliás, sobre a humanidade, mais a sensação de desespero aumenta... não é à toa que se diz "abençoada ignorância"... mas trocaria quem sou por viver na ignorância, dentro de uma comunidade que me protege, mas controla?

E ser mulher neste tipo de comunidades? Cá fora já é difícil, imaginem...

TRAILER

A força impulsionadora destes ultra-ortodoxos, maioritariamente sobreviventes e descendentes de sobreviventes do holocausto, com um profundo trauma do genocídio, é "restaurar" os 6 milhões de judeus mortos na segunda guerra mundial... não sei o que pensar dessa força impulsionadora....

O extremismo religioso nunca conquistou nada de bom... já não chega de "guerras santas" e de dividir a humanidade em grupos, cada um que se julga melhor do que o outro? Ninguém aprende com a história?

Neste documentário, acompanhamos a vida de alguns ex-hassídicos que abandonaram/fugiram da comunidade, claro que mesmo entre quem o faz é diferente se se é homem ou mulher, especialmente uma mulher com filhos, que o mais certo é ficar sem eles. A comunidade está estruturada de tal forma que uma pessoa que tente escapar se vê sem nada - sem o apoio de família e amigos, sem dinheiro, sem estudos, sem nada. O que vale é que há grupos/associações/organizações que tentam ajudar essas pessoas, como é o caso da associação americana FOOTSTEPS, mas muitos acabam por cair no crime, nas drogas ou desistem de tudo e acabam por voltar.

As comunidades humanas deveriam de ser unidas, e não inimigas. Porque é que a humanidade não evoluí toda ao mesmo tempo? Porque temos tantas desigualdades? Tanto extremismo? Tanto medo e preconceito uns com os outros? Não somos todos, essencialmente, humanos?

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