Opinião: O País das Laranjas | Rosário Alçada Araújo

SINOPSE: Com apenas 10 anos, Martha parte para Portugal com o irmão Peter. Estamos em 1949 e a fome e o frio fazem parte do seu quotidiano, já que a Áustria, a sua terra-natal, é ainda um país destruído pela Segunda Guerra Mundial.
Chegados a Lisboa, os dois são inesperadamente separados e Martha vai viver para a Covilhã, no seio de uma família abastada que a recebe com todo o amor e um conforto que nunca antes experimentou.
Martha irá viver dias inesquecíveis, que ficarão para sempre guardados nas memórias da sua infância. Mas não poderá separar estes tempos de felicidade das recordações da guerra que traz consigo, das saudades do irmão e da mãe, da tristeza por não se lembrar das feições do pai e ainda de algumas peripécias que acontecem na casa onde agora vive.
Quando o regresso à Áustria se aproxima, Martha vê-se obrigada a pensar em quem é realmente e a que lugar quer pertencer.


Este livro é lindo, é uma história perfeitamente adequada a miúdos e graúdos, é passada no final dos anos 40, início dos anos 50, eu não fazia ideia de que a Cáritas esteve envolvida no acolhimento de crianças vítimas da guerra, neste caso crianças refugiadas da Áustria que aqui em Portugal foram acolhidas por famílias de acolhimento temporário, enquanto o seu pais - e os seus país - refaziam as suas vidas, as suas casas, a sua economia, muitas orfãs de pai, fugindo assim temporariamente à fome e ao frio, ... crianças que nunca tinha visto uma banana ou uma laranja, crianças que não conheciam - ou se lembravam - de outra vida que não a vida de terror da guerra e ameaça de bombas constantes...

A autora entrevistou várias dessas crianças, agora mulheres, algumas com casa lá e cá, pois apaixonaram-se perdidamente pelo nosso país e criou Martha e o irmão Peter.

Apesar de envolver o tema guerra, é adequado a qualquer criança que queira ouvir ou ler a história, pois não tem descrições macabras e as menções directas à guerra são poucas, a narrativa concentra-se mais na nova vida da Martha na Covilhã - terra do querido autor João Morgado -  naqueles anos pós-guerra, e que leitura incrível foi esta!

Eu ainda sou do tempo em que as crianças brincavam desta maneira, ao ar livre, a nadar nos rios, a trepar às árvores, a fazer amizade com outras crianças das terras onde ia passar férias muito facilmente, a alegria da inocência e o futuro totalmente em aberto, carregado de esperança...

Este é um livro muito lindo, fantástico para as crianças aprenderem esta parte da nossa história e destes tempos vividos, e para os adultos que, como eu, ficaram decerto impregnados de nostalgia, especialmente os que viveram estes anos...

Fabuloso!
👉🏻 Wook | Bertrand 👈🏻

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