Opinião: O Último dos Nossos | Adélaïde de Clarmont-Tonnerre

Uma história de amor proibido numa época em que tudo era permitido
SINOPSE: Dresden, 1945: sob um dilúvio de bombas, uma mãe agoniza para dar à luz o seu filho. Manhattan, 1969: um homem encontra a mulher da sua vida no coração da Big Apple.
Do inferno da Europa, em 1945, à Nova Iorque hippie. Neste romance premiado com o Grande Prémio do romance da Academia Francesa, Adelaide de Clermont-Tonnerre conta a história dos anos loucos vividos na pele por dois genuínos filhos do século XX: Werner Zilch, nascido na Alemanha no estertor da Segunda Guerra Mundial, e Rebecca Lynch, herdeira de um homem de negócios e de uma mulher que logrou escapar com vida ao campo de concentração de Auschwitz. Uma paixão louca e proibida num cenário histórico repleto de reviravoltas e marcado pelo suspense.
Werner Zilch é um jovem carismático e empreendedor. Adotado desde tenra idade, vê-se confrontado com a descoberta das suas origens, tudo menos gloriosas. Aos olhos dos outros, pode ser considerado responsável pelos erros cometidos pelos seus antepassados? Como aceitar que o seu progenitor estivesse ligado ao nazismo?
A par das personagens, surgem nomes que os leitores por certo reconhecerão, todos eles figuras marcantes do seu tempo. A saber: Andy Warhol, Truman Capote, tom Wolfe, Joan Baez, Patti Smith, Bob Dylan...
Uma complexa história de amor que é, ao mesmo tempo, um capítulo ficcionado da nossa História. O leitor não conseguirá pousar o livro enquanto não descobrir quem é, na verdade, «o último dos nossos». No fim, fica a pergunta: estaremos condenados a responder pelos crimes e pelo sofrimento dos nossos pais e avós?


Ando cada vez mais a ver documentários sobre a Segunda Guerra Mundial/Holocausto, neste livro há uma parte em que narra o ataque a Dresden, a narrativa já está bastante vívida, mas sendo que eu já vi este documentário ainda mais vívida a leitura se tornou, pois tinha todas aquelas imagens na cabeça...

Pensei que este livro fosse carregar no romance lamechas, visto a premissa prometer uma história de amor proibido, mas não, a leitura surpreendeu-me muito pela positiva, e apesar de haver romance sim, é do tipo que eu gosto, mais dramático do que romântico, e a história foca-se mais na vida do Werner, especialmente o seu passado do que no romance propriamente dito. Cada capitulo é uma variação, a vida no presente narrado pelo Werner na primeira pessoa, e o capitulo seguinte narrado na terceira pessoa desvendando o seu passado, desde antes de nascer até muito jovem, com um envolvimento de muitas personagens, algumas delas reais: Andy Warhol, Truman Capote, tom Wolfe, Joan Baez, Patti Smith, Bob Dylan...

Apesar de eu já ter lido/visto filmes/visto documentários diversos sobre a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, há aqui um tema abordado com o qual nunca me tinha cruzado, muito menos de esta forma tão crua, que é a escravatura sexual de mulheres nos campos de extermínio, aqui especificamente Auschwitz. Quando pensamos que já nada nos pode chocar da crueldade praticada pelos Nazis, cada vez mais testemunhos vão surgindo.

A forma como a autora conseguiu recriar tão bem a mentalidade masculina de Werner, machista, violento, obsessivo, mau feitio, machista, é incrível, mas não consegui de forma nenhuma gostar dele... tolerei até ao fim, mas há outras personagens de quem gostei mais, mesmo assim foi uma leitura que li de uma assentada, com muitas voltas e reviravoltas, aborda o guerra e pós-guerra na Alemanha, e a América nos anos 60/70, e também o facto de haver activistas que por sua conta e risco, com o apoio de vítimas ou familiares de vítimas da Segunda Guerra Mundial/Holocausto, financiam-nos para encontrem e capturem criminosos de guerra, nazis e colaboradores, para serem julgados em Israel, o que por pesquisa minha me deu a conhecer o Mossad, agência de espionagem e inteligência do Estado de Israel, da qual eu não tinha conhecimento, e agora hei de investigar o motivo pelo qual se pode realizar julgamentos destes nestes países, mas não naqueles onde os horrores foram cometidos... os Julgamentos de Nuremberga deixaram muito a desejar... as leis... tanto dão para o bem como para o mal.... com um conteúdo histórico muito rico, é uma leitura fascinante.

👉🏻 Wook | Bertrand 👈🏻

2 comentários:

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