Opinião: Uma Família Quase Normal | Mattias Edvardsson

Até onde seria capaz de ir se a sua filha fosse acusada de assassinato?
SINOPSE: Stella é uma adolescente comum, de uma família honesta. O pai, Adam, é pastor da Igreja da Suécia, respeitado e de uma moral irrepreensível, casado com Ulrika, advogada de defesa.
Os Sandell são a família perfeita, até que Stella é acusada do assassinato brutal de um homem muito mais velho, Christopher Olsen. Mas que motivo poderia ela ter para conhecer um homem de negócios obscuro, quanto mais para o matar? Tudo deve não deve passar de um erro terrível.
Neste emocionante thriller, o magistral contador de histórias Mattias Edvardsson arquitecta uma teia na qual todos se envolvem e nada é o que parece. A história de um crime e a destruição de uma família é contada através de uma estrutura incomum de três partes que mantém o leitor a questionar tudo e todos. Tudo é virado do avesso à medida que a perspectiva muda, uma nova voz assume o controlo e novas sombras são lançadas na luz.
Este livro não é nem de perto nem de longe o melhor thriller que já li, mas não haja dúvida que conforme a leitura ia avançando, especialmente na parte em que a narrativa é contada na perspectiva da Stella, comecei a ficar cada vez mais presa na leitura e mais para o final só consegui pousar a leitura quando a terminei, também para provar que as minhas conclusões estavam certas, e sempre estiveram, apesar de algumas dúvidas que fui tendo pelo caminho, pois a narrativa assim o faz para começarmos a desconfiar de tudo e todos, enquanto vivemos intensamente este drama familiar e jovem adulto...

Apesar de ser uma história interessante com alguns pontos verdadeiramente fascinantes, houve um par de factores que fizeram com que não o considere um livro excelente: o factor principal, que chegou mesmo a fazer com que me desconcentrasse na leitura e me roubou uns momentos de puro deleite foi a tradução.... volta e meia aparecem traduções destas, afectadas profundamente pelo novo acordo ortográfico, e junto com um ou outro erro de revisão. Acho muito estranho, mesmo quando um livro refere que segue o novo acordo, certos tradutores seguem o novo acordo de uma forma e outros de outra... Por exemplo, já li vários livros desta editora, traduzidos de forma sublime, sem um erro a apontar! E depois veio este... Não sei...  O que mais me enerva nestas novas traduções são os diálogos do género: - "Falei com Liliana. Sou Liliana. Vistes Liliana?"... o que custa meter o "a"? "Vistes a Liliana? Sou a Liliana. Falei com a Liliana"... é uma cena do novo acordo? É que ultimamente tem aparecido cada vez em mais livros, e este tipo de tradução tira-me do sério, pois considero que fica um diálogo pouco natural, pois não conheço absolutamente ninguém que fale assim no dia-a-dia, mas pronto...

Outro factor, este já da própria história em si: há certas partes no livro em que o autor se arrasta no mesmo ponto e chega a repetir certas constatações... especialmente na narrativa do ponto de vista do pai, houve ali alturas em que quase me fez perder o entusiasmo na leitura, não fosse o facto de toda a narrativa ter ritmo suficiente para ir prendendo, e estarem sempre a surgir novas provas e novos acontecimentos, e também com a presença de muitos flashbacks, algo que por acaso eu aprecio bastante. 

Gostei da forma como o livro está dividido em três narrativas na primeira pessoa: a do pai, da filha e da mãe, e nota-se bem as diferentes personalidades de cada um, formas de falar, sentimentos e pensamentos, na narrativa do pai é que notei uma mais a tal ladainha algo saturante,  no entanto a forma como a mulher e a filha o vêm é muito interessante e revelador, mas se há coisa que este livro pode ser considerado é - fascinante a nível psicológico -, tanto a nível da psicopatia (os psicólogos vão delirar com esta leitura), como também da própria condição humana, quase ninguém é aquilo que aparenta, toda a gente esconde segredos, e muitas vezes a pessoa com quem estamos casados ou envolvidos de alguma forma, os nossos melhores amigos, os nossos próprios pais ou filhos, não são quem pensamos... por vezes, nem nós próprios sabemos quem somos! Este livro é muito actual e realista e chega mesmo a ser um bonito ode à verdadeira amizade, no entanto, a linha que separa o ode da obsessão é muito fina.... também é uma espécie de crítica sobre a pressão familiar e social que sofremos para sermos perfeitos...

E para quem gosta de dramas adolescentes (como eu) este é um bom livro, pois está carregado desse tipo de drama até ao tutano! Resumindo, e tirando os factores menos positivos, foi um livro que me prendeu, li num ritmo alucinante e achei psicologicamente fascinante! 

👉🏻 Wook | Bertrand 👈🏻

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