Opinião: PAX | Sara Pennypacker

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 5º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma

UMA HISTÓRIA FANTÁSTICA QUE ENCHE O CORAÇÃO.
SINOPSE: O Peter e o Pax são tão inseparáveis como só os melhores amigos podem ser. Desde que o Peter resgatou o pequeno raposinho, os dois tornaram-se parte um do outro, vivendo grandes aventuras e partilhando momentos inesquecíveis. Mas o inimaginável acontece: o pai do Peter parte para a frente de combate, o rapaz tem de ir viver com o avô e, contra a vontade do Peter, o Pax é «libertado» na floresta. Entretanto, o Pax, firmemente à espera do Peter, embarca em emocionantes aventuras e descobertas acerca dele próprio na companhia de novos amigos, como a Bristle e o Runt. Uma narrativa maravilhosa e mágica sobre as verdades essenciais que nos definem. Num segundo parte-nos o coração e, no segundo seguinte, é capaz de o reconstruir de forma admirável!


Mais um livro juvenil lindíssimo, que amei ler, dentro do género de um dos livros que mais amei ler, "No Rasto das Medusas", este livro também me prendeu na leitura, entusiasmou e emocionou... que livros lindos, carregados de emoção, aventura e lições de vida se escrevem agora para os mais novos, e mais uma vez vou ter de referir a imensa pena que tenho de no meu tempo não haver nada disto... mas há agora, e isso é o que importa, e mesmo sendo adulta consigo desfrutar tanto, ou se calhar em certa medida até mais, deste tipo de leituras.

A última vez que me tinha sentido tão ligada a uma raposa, foi na minha infância, pois apesar de na minha infância não haver este tipo de livros, havia este tipo de filmes, e quem gostou de ver a Papuça e Dentuça da Disney vai adorar este livro!

De facto, a última vez que estive ainda mais ligada a uma raposa, ou, neste caso, perto de uma, a alimentá-la, foi na Serra da Arrábida.... nunca tinha estado perto de nenhuma...

Este é daqueles livros introspectivos, em que vemos a humanidade pelos olhos das crianças, e ainda mais pelos olhos dos animais selvagens, neste caso, de raposas, e está escrito de uma forma tão realista, visto que a autora trabalhou com um observador e especialista em raposas para transmitir da forma mais verídica possível os seus comportamentos e acções, que é pura e simplesmente arrebatador...
No livro, referem-se aos humanos em guerra como tendo uma doença, os "doentes de guerra", e não é verdade?... É uma pena que essa doença não seja tratável com medicamentos, pois ainda não há cura imediata para a ganância, obsessão pelo poder, para a maldade.... essa cura está dentro de cada um de nós, e a maior parte da humanidade tem essa parte de si desfeita ou inexistente... e é por isso que temos o mundo que temos...

Depois, ainda há outro factor neste livro que adorei, que eu amo ler, que é a ligação entre crianças e velhotes, a dualidade de gerações, a inocência com a sapiência, que eu gosto tanto ler e também de viver, visto que eu convivo e tenho conversas altamente interessantes, cultas e inteligentes com os mais velhos, conversas essas que me encantam e incutem conhecimento... neste caso, a senhora com que Peter se vai cruzar não é uma velhota propriamente dita, mas uma senhora de meia idade, traumatizada de guerra, considerada ermita, que se vão ajudar mutuamente, apesar de não se darem conta, pelo menos no início...

E além de tudo isto que eu adoro, ainda temos a parte da história da verdadeira amizade entre humano e animal, uma amizade verdadeira, que tudo supera...
"É um conceito budista. A não dualidade, Fala de inseparabilidade, de que as coisas que parecem ser independentes estão na verdade ligadas umas às outras. Não existem separações (...) Isto não é um bocado de madeira. É também as nuvens que trouxeram a chuva que molhou a árvore, e os pássaros que faziam ninho nela e os esquilos que se alimentavam dos seus frutos. É também alimento que os meus avós me deram que me fez forte o suficiente para cortar a árvore, e é o aço do machado que usei. É o que conheces do teu raposo que te permitiu esculpi-la ontem. E é a história que contarás aos teus filhos quando lhes deres isto. Todas estas coisas são independentes, mas também uma só, inseparáveis. Percebes?"
"Dois como fenómenos, mas não dois como números..."


2 comentários:

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