Opinião: A Medida do Homem | Marco Malvaldi

O romance que traz de volta a figura mais emblemática do renascimento
SINOPSE: Outubro de 1493. Florença continua de luto pela morte de Lorenzo, o Magnífico. Os navios de Colombo só recentemente chegaram ao Novo Mundo. Enquanto isso, Milão experimenta um renascimento sob a liderança de Ludovico, o Mouro. Aqueles que vagueiam pelos pátios do Castelo de Milão ou ao longo dos canais Navigli encontram, frequentemente, um estranho homem, vestido com uma longa túnica rosa. Tem uma expressão calma, como alguém que está perdido nos seus próprios pensamentos.
O homem, cujo nome é LEONARDO DA VINCI, vive por cima da sua oficina, com a mãe e um rapaz travesso que adora; não come carne, escreve da direita para a esquerda e luta para que os seus empregadores lhe paguem um salário. A sua fama estende se para além dos Alpes, até à corte francesa de Carlos VIII, cujos enviados receberam uma missão secreta que diz respeito ao próprio Leonardo. Há quem diga que o inventor italiano mantém os seus desenhos mais ousados incluindo talvez o projeto de um cavaleiro mecânico invencível num caderno que traz escondido sob as vestes, perto do coração.
Quando um homem é encontrado morto no pátio do castelo, o Mouro pede ajuda a Da Vinci. Embora o cadáver não mostre sinais de violência, a morte é altamente suspeita: rumores de uma praga ou explicações supersticiosas precisam ser refutados rapidamente.
Leonardo não está em posição de recusar o pedido do seu mestre para investigar.

Ora bem, tenho sentimentos mistos sobre este romance, que tanto gostei e li de uma forma obsessiva, que quase me levou a perder o comboio mais do que uma vez, e uma dessas vezes quase que passava pela minha paragem sem dar conta e tive de correr (e bem) para sair antes que as portas se fechassem, como tive alturas em que não pegava nele porque não me estava a cativar...

Primeiro, estava à espera algo dentro do género thriller e/ou policial, mas no máximo este romance tem umas parcas conotações nesse sentido, ... este é basicamente um romance histórico muito dramático e carregado de coscuvilhice, por assim dizer, drama e drama e mais drama, e interessantes factos históricos, alguns dos quais já conhecia, outros não fazia ideia, e foi essa a parte que mais me cativou, o romance histórico...
Uma das partes de que mais gostei:
Outra vertente que me cativou foi esta narrativa, que eu cada vez mais adoro, um tipo de narrativa em que o narrador se dirige ao leitor, ou seja, como se o narrador nos tivesse a contar a história pessoalmente, chegando mesmo a fazer-nos perguntas, e adorei também a ironia e sarcasmo deliciosos implícitos, e o facto de misturar o passado e o presente na narrativa, como por exemplo, comparando o trânsito daqueles tempos com o de hoje em dia, a industria da moda, entre outros... e ironizando de uma forma hilariante e original a narrativa, como se de uma aula de história com um professor muito divertido se tratasse!
Gostei da forma como a crise económica e a bancarrota foi explicada, agora percebo muito melhor as suas origens e as causas, e é surpreendente a forma como os bancos trabalhavam já naqueles tempos... 

Agora, o que de facto eu menos gostei na leitura, mas isto é já algo bastante pessoal, outra pessoa é capaz de ler o livro de uma assentada e não sentir nada disto e achar que o livro está pura e simplesmente brilhante, mas eu, pessoalmente, não consigo, então, a parte de que eu gostei menos foi a forma como a personagem de Leonardo DaVinci foi retratada neste romance...

Pois... e eu que devorei imediatamente este livro mal o recebi precisamente por eu ser uma tremenda apaixonada e aficionada por Leonardo DaVinci desde que me lembro que existo, e de todas as personagens deste livro, todas, mas mesmo TODAS, a única que eu não gostei da forma como foi trabalhada foi precisamente aquela que mais adoro... ou talvez seja precisamente por isso...

Imagino, de tudo o que já li e estudei deste homem maravilhoso e puramente fascinante, que seria uma pessoa calma, ponderada, com uma voz rouca e profunda, dentro do género Morgan Freeman ou Sean Connery (com pronúncia italiana), se eu pudesse escolher um actor para interpretar o Leonardo, seria, sem dúvida, o Liam Neeson! Frontal e assertivo, mas simpático e adorado por todos, e em parte é assim que é retratado no livro, menos na parte da voz, e também porque neste livro é retratado de uma forma... muito picuinhas... dando graxa, dizendo cenas tipo: "ai de mim, ai de mim,...", parecendo... bem... a melhor forma para vos descrever o que eu senti, é que lhe falta, tremendamente: essência! A personagem de Leonardo DaVinci, neste livro, não tem, para mim, de forma alguma, essência...

Quem sabe se ele  não era mesmo assim? Talvez se formos a ler as suas cartas e apontamentos, seja mesmo assim que ele se expressa, se bem que, no final do livro lemos uma suposta carta escrita por ele, e nessa carta sim, está a dita essência que falta à personagem durante a narrativa e convivência com as outras personagens, ... sempre ouvi dizer que não devemos de conhecer os nossos heróis, para não sairmos desgostosos e desiludidos... no entanto, vos garanto que se me fosse dada a oportunidade de viajar no tempo por uma hora para o conhecer, eu o faria independentemente dos riscos!

Adorei a forma como autor destacou a aversão de Leonardo a comer carne, a forma como é contra o especismo, como defende os animais, a sua suposta homossexualidade, e até o facto de andar com vestes cor-de-rosa, adorei esses pormenores! Mas depois lá está, quando o autor o metia a conviver com outras personagens, torna a sua personagem estranha e avessa aquilo que eu conheço deste génio renascentista... uma contradição que me fez confusão...

Agora, resumindo, é apesar de tudo, um romance que se lê bem, tem aquilo que eu mais adoro nos romances históricos, o meu assumido género preferido, que é, estarmos a ler um romance, uma aventura, e sermos transportados para aqueles tempos, viajarmos pela história, sentirmos o que seria viver naqueles tempos, e aprendermos factos históricos ao mesmo tempo que nos divertimos, e quando a vós não sei, mas para mim é mais fácil assimilar factos e datas históricas lendo romances históricos do que em livros de história.

Este é, portanto, um romance histórico muito simples, chegando até a ser, em certar partes, um pouco infantil, é uma leitura muito leve, ideal para quem se quiser estrear com os romances históricos, e para quem gosta de uma boa dose de comédia e ironia, drama e um pouquinho de policial, com muita história à mistura.

2 comentários:

  1. Terminei de ler este livro, apesar de ter gostado de ler o livro e li bem rápido. Fique com um certo vazio pois Leonardo d'Vinci é o meu artista da antiguidade que mais admiro estava à espera de mais. Livro leve, algo cómico, falta algo para lhe dar 5*. Fica pelas4*

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    1. Exacto, foi o mesmo que eu senti! Falta dar-lhe ali muito mais essência, e um toque menos "infantil"...

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