Opinião: As Casas Também Morrem | Elsa Guilherme

SINOPSE: Luísa Menezes refugia-se no trabalho, para fugir ao doloroso internamento do seu filho. É uma das melhores avaliadoras de imóveis do país, e é nessa condição que é convidada a visitar uma casa «problemática», no Norte. Instala-se na terra mais próxima, Vilar de Fragas, perdida nos montes e escondida entre gigantescas pedras graníticas. Luísa descobre uma vila isolada do mundo, povoada de histórias, desejos e pecados.
Desde o primeiro momento, Luísa encantou-se com a Casa do Inglês. Tem então início uma história com muitas perguntas, que a impedem de partir: que livro é aquele que a «louca da terra» lhe deixou? O que existe na Casa, que faz as portas baterem e que afugenta possíveis interessados na sua compra? Será que a mártir da terra, Heloísa Monteiro, assombra aquele lugar desde as invasões francesas?
Luísa sente algo inexplicável na Casa, que a deixa alerta. Aquele lugar pode ser o seu fim. Ou um princípio.

Bem... ainda nem sei bem como hei-de opinar esta minha leitura...

Tanto teve partes que me fascinaram, como teve partes que para mim, são desnecessárias, são o que se chama: "palha", cenas desnecessárias que poderiam ser melhor preenchidas... também há algumas incoerências na narrativa, e situações algo forçadas, que tornam a trama pouco realista...

No entanto, há cenas que fazem mesmo parecer um livro estilo Dan Brown, o que me fascinou, ainda mais escrito por uma mulher e portuguesa!

Outra coisa de que gostei foi o típico tradicional, as expressões utilizadas, roupas e costumes, no entanto, para a leitura ser verdadeiramente realista, a autora devia de ter usado também a pronúncia em forma de escrita, e não só meter ali palavras e formas de falar num diálogo comum, porque assim é mais díficil e menos natural imaginar a pronúncia. Tal como fez a autora Isabel Ricardo com as "gestes" da Nazaré no livro "A Revolução da Mulher das Pevides", onde lemos a pronúncia que está tão bem caracterizada e narrada, que é como se a estivéssemos a ouvir, ou seja, essa autora escreveu tal como eles falavam, num género de onomatopeia da pronúncia...

Também não compreendo porque é que traduziu algumas expressões do regionalismo transmontano, e outras não...

No entanto, adorei o mistério, a teologia, os sete pecados capitais, a mistura de policial e romance, histórias entre histórias entre histórias, ... gostei dos pensamentos irónicos da Luísa, que são muito semelhantes aos meus, gostei da crítica social, especialmente das vidas dos meios pequenos, das aldeias, e outra coisa que adorei e muito me surpreendeu, foi ver a reza que tem sido passada pela minha família, neste livro! Eu até pensava que tinha sido a minha avó a inventar, afinal não, está bem ali, no regionalismo transmontano, adorei!
Também o ritual de quebrar o quebranto com um prato de água e azeite... um detalhe excelente e original, que combina muito bem com esta história e as suas gentes.

Adorei o conceito da Casa ser um ser com emoções, que tanto protege como destrói, e que vive amaldiçoada com os pecados das gentes que a ela estão ligadas, os segredos, as mentira, as tristezas,...

Depois de umas pesquisas via google, descobri em sites galegos lendas sobre a Fraga, o sr. Silveira, e outras alusões e personagens que entram nesta história, estranho o livro não trazer uma introdução sobre esse facto, seria ainda mais interessante e daria um toque ainda mais realista, mas, apesar de ter tentado procurar esta terra como portuguesa, só encontro referências galegas, sendo que na história supostamente fica ao pé de Lamego,e  na vida real não tem nada a ver... algo que será para questionar a autora numa futura entrevista...

Falando em Lamego, neste livro temos algumas referências e explicações históricas sobre a invasão francesas a Portugal, e até temos a origem da expressão: "foi para o maneta", que eu adorei saber!

Resumindo, foi um livro que li com bastante interesse, e cheguei mesmo a ficar um bocado arrepiada numa parte especialmente assustadora na Casa, passada na cozinha, o que não é comum, pois eu raramente tenho medo a ler filmes ou ver filmes de terror, mas de facto aquela cena perturbou-me, o que significa que a narrativa está bem conseguida e é intensa.

Fiquei com curiosidade em ler mais livros da autora, e recomendo esta leitura aos fãs de histórias de assombrações, thrillers e mistério, recheado de conotações tradicionais portuguesas.


26 comentários:

  1. Bom dia, fiquei com curiosidade de ler, adoro thrillers e mistério e também a parte das lendas regionais, só não gosto de livros com muita "palha", acabo por me desinteressar e demorar mais tempo a ler, mas gostei da opinião, obrigado!

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    1. Este livro não tem muita "palha", tem alguma, pelo menos para os meus gostos, algumas intrigas e coscuvilhice que acabam por ser em demasia, alguma, sim, é giro para dar aqueles ares do pessoal da aldeia saber tudo uns dos outros, mas a determinado ponto o que eu queria era saber mais sobre as lendas, histórias, o desenvolvimento da história, mais sobre a casa, mas ao menos vamos sabendo tudo conforme a história vai avançado e depois descobrimos os segredos todos.
      Demorei um par de dias extra a terminar de ler, mas gostei da leitura :)

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  2. Boa prenda para a minha mãe.

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  3. histórias de assombrações, thrillers e mistério por isso irei le-lo

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    1. É uma boa leitura para quem aprecia o género, ainda mais tão tipicamente portuguesa :D

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  4. Já tinha lido sobre este livro e fiquei com alguma curiosidade sobre a história nele contada.

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  5. Eu adoro livros e filmes de terror mas é muito difícil ficar realmente assustada com algum deles. Tenho que experimentar ler este :)

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    1. Este tem partes um bocado arrepiantes, especialmente se lidos em noites de tempestade, que foi o que aconteceu comigo, =P
      Mas é mais carregado de mistério e drama que de medo propriamente dito...

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  6. Suscitou-me alguma curiosidade pelas partes arrepiantes ;)

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  7. Quando surgir este livro deixou-me dividida... sem saber se o deveria ler ou não. Pela sinopse parecia ser interessante, mas tinha receio de apostar nesta leitura e ser mais uma desilusão (e este ano já tive várias!). No entanto, e depois de ler a tua opinião e uma outra (de outro blog) fiquei convencida a experimentar e já entrou na minha wishlist! Continuação de boas leituras!

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    1. Este ano tenho mantido a fasquia baixa, então desgostos não apanhei nenhuns, só certezas, e o que tem acontecido é me surpreender muito pela positiva com alguns que eu não contava grande coisa, especialmente os que são muito falados e divulgados, normalmente não me enchem as medidas, procuro sempre leituras muito específicas, que me façam pensar e ainda mais sentir, mas tenho encontrado boas surpresas, que já comecei a divulgar aqui no blog ;)

      Quando a este livro, é tempo bem investido, é interessante, tem uma boa história com várias histórias interligadas, lê-se bem, a escrita é fluída, há que arriscar! ;)

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  8. O surgimento desta chancela da Porto Editora, a Coolbooks, tem dado oportunidade a várias autores portugueses de publicarem os seus trabalhos. Já tive agradáveis surpresas - como o "Sudoeste" da Olinda P. Gil, por exemplo - e este "As Casas Também Morrem" parece digno de nota também.

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    1. Sim, tem siso uma excelente fonte de descobertas, e dedicada aos autores portugueses é uma iniciativa excelente, e a qualidade dos livros é irrepreensível! :D

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  9. Parece ser um livro diferente dos que leio mas parece ser interessante

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    1. Ao sairmos da nossa zona de conforto de vez em quando, além de alargar a variedade de leitura e nos enriquecer, descobrimos excelentes histórias que nos encantam! :D

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  10. Já tinha ouvido falar muito deste livro, mas pensava que a temática era outra.
    A parte de ter partes à Dan Brown não me fascinou por aí além. Tenho uma relação de amor/ódio com o escritor. Gosta das histórias, mas não gosto da sua forma de escrever...

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    1. Amor/ódio, a sério??? :O
      Uma das coisas que mais gosto no Dan Brown é a sua forma de escrever, mas as partes que me refiro é as alusivas a desvendar verdades religiosas, carregadas de mistério... porque a escrita em si não tem absolutamente nada a ver,...

      Só há uma coisa em Dan Brown que cada vez mais me faz torcer um bocadinho o nariz, é a estrutura ser sempre a mesma, alguém morre antes de relevar o segredo, andamos até ao fim em rodeios (no entanto, interessantes) para descobrir o segredo, tem sempre uma gaja a ajudar o professor, e por algum motivo tem de ser sempre linda, não pode ser uma mulher de simples aspecto e inteligente, não... e isso é um bocado chauvinista, mas pronto...

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