O Terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755

1 de novembro de 2018


Texto de Luiza Antunes, blog: 360meridianos : Era dia de Todos os Santos e a maioria dos moradores, nobres e plebeus, de uma das principais cidades católicas do mundo, se reuniam pela manhã em Igrejas, acendiam velas e rezavam. Às 9h30 da manhã, a terra começou a tremer. Tremeu tanto que destruiu 85% das construções de Lisboa. Como desgraça pouca é bobagem, alguns dos sobreviventes que estavam na zona portuária da cidade, assistiram espantados a água do mar recuar e alguns minutos mais tarde, ondas de 10 metros invadirem a Baixa. O tsunami não foi suficiente, porém, para apagar todo o fogo que tomou conta da cidade. O incêndio depois do terremoto de Lisboa, no dia 1º de novembro de 1755, durou cinco dias, sem ninguém para apagar as chamas.

“E agora?”

“Enterram-se os mortos e cuidam-se os vivos”

Não se sabe se esse diálogo realmente aconteceu, mas a fala acima é atribuída a um velho conhecido dos brasileiros, o Marquês de Pombal. Ele foi o grande responsável pela reconstrução da Lisboa que conhecemos hoje. As contas não são muito acertadas, mas a estimativa é que 30 mil pessoas morreram com a catástrofe natural. Por sorte, a família real estava fora da cidade no dia, mas o rei, Dom José I, desde então desenvolveu um pavor tão grande de ficar entre paredes que se mudou para tendas, muito chiques e luxuosas, claro, no Alto da Ajuda. Ali, mais tarde foi construído o Palácio Nacional D’Ajuda.

Nesse cenário desolador, várias coisas foram feitas ao mesmo tempo. A começar, Pombal organizou um plano para a rápida recuperação da cidade: ordenou que os incêndios fosse apagados e os corpos recolhidos (muitos acabaram jogados ao mar). Com isso, Lisboa evitou uma epidemia pós-terremoto.

O Marquês também colocou as forças armadas nas ruas, para punir exemplarmente quem tentasse pilhar em cima da tragédia. E chamou arquitetos e engenheiros para reconstruir toda a baixa da cidade: o Marquês e o Rei decidiram que a melhor ideia era colocar tudo abaixo e reconstruir completamente a Baixa de Lisboa: no novo plano, ruas retas, largas e praças: a do Comércio e a do Rossio, além de um novo porto e cais. Em um ano, a cidade estava nova. E pronta para outra.

A parte mais genial do plano de Pombal foi que ele realmente se preocupou em construir estruturas que fossem capazes de se manter em pé no caso de outro terremoto. Foi criada então a Gaiola Pombalina e, para ter certeza que essa obra de engenharia funcionasse, ele mandou que uma tropa ficasse marchando em cima da construção: se sobrevivesse intacta, estava aprovada.



Para além de Portugal, o Terremoto de Lisboa também mudou o mundo, de algumas maneiras. Por exemplo, o entendimento sobre sismos, em geral. Claro que o primeiro pensamento dos portugueses era que Deus os estava castigando. Mas o século 18, inflado por ideias do Iluminismo, levou aos primeiros estudos científicos sobre a origem dos tremores, estudos esses que trouxeram o desenvolvimento da sismologia moderna.

O Marquês de Pombal mandou que os sobreviventes respondessem questionários sobre o assunto, inquirindo-os sobre o tempo do sismo e suas réplicas, os tipos de danos e coisas assim. Os resultados dessa pesquisa podem ser visto até hoje, em arquivos guardados na Torre do Tombo, em Lisboa.

E por falar em Illuminismo, o terremoto de Lisboa também inspirou reflexões e trabalhos de muitos filósofos da época, como Voltaire. E a ajuda internacional tomou formas pela primeira vez, com outros reinos europeus enviando mantimentos e dinheiro para contribuir com a reconstrução.

Hoje em dia, Lisboa não é uma cidade à prova de terremotos como sonhou Pombal. Na verdade, está longe disso. Somente em 1959 o governo criou uma lei obrigando os prédios fossem construídos na cidade a serem antissismos. Ou seja, muitas construções do século 19 e da metade do século 20, incluindo hospitais e escolas, desabariam no caso de um novo terremoto de tal magnitude (não disse antes, mas estima-se algo entre 8,5 e 9 na escala Richter). E vários especialistas acham que tal catástrofe natural tem muitas chances de acontecer novamente e, se tudo continuar como está, há um risco de 17 a 27 mil pessoas morrerem. IN 360meridianos

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Deixo-vos com vídeo com a encenação arrepiante do acontecimento

Leitura que recomendo para este dia

4 comentários:

  1. Muito interessante! Foi bastante útil para o estudo com o meu filhote que está exatamente a dar esta matéria em HGP.
    Beijinhos e Obrigada
    Paula Fonseca Pedras

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    1. A sério? Fantástico!
      Quem me dera que no meu tempo de escola houvesse romances históricos assim, tinham sido não só uma excelente companhia, mas uma grande ajuda nos trabalho e na aquisição de conhecimentos também....

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  2. Uma verdadeira tragédia. A natureza prega-nos partidas e temos tido, infelizmente, muitos casos de desgraças. Temos que cuidar do meio-ambiente e, dentro daquilo que nos é possível, criar e implementar ferramentas para minimizar estas situações.

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    1. Eu já ando a tomar diversas medidas para fazer a minha parte na protecção do nosso ambiente, agora se todos fizessem também a sua parte, nem que seja só um bocadinho aqui e ali, mas tem mesmo de ser TODOS, tudo seria diferente, seria melhor.... :/

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