Um blog entre... As ruas das Caldas da Rainha | Do Terminal Rodoviário à Praça da Fruta

12 de outubro de 2018

Visita a 06 de Outubro de 2018

Desde que o FOLIO (Festival Literário Internacional de Óbidos - Óbidos Vila Literária) foi criado, que sempre tive imensa vontade em ir, mas até agora não tinha surgido a oportunidade...

↪ Esta publicação está elaborada de forma a que: primeiro mostro a foto, e imediatamente abaixo faço os meus comentários, apresentações ou elaboro algum texto relacionado com a foto. A forma de ler esta publicação (e todas as minhas outras do blog) é: Foto - Texto - Foto - Texto, ... Podem clicar em cima das fotos para as verem maiores, com mais detalhe ↩


Para ir de Leiria a Óbidos, o mais prático e económico, por incrível que pareça, é apanhar o autocarro no terminal rodoviário de Leiria para as Caldas da Rainha, e depois das Caldas apanhar outro autocarro para Óbidos. A alternativa é apanhar um autocarro interurbano que fica mais caro, e demora quase QUATRO horas a lá chegar!


Então, lá fiz o meu itinerário e meti-me a caminho...


A minha leitura de viagem, que já tem opinião no blog, aqui.


E nuns 50 minutos lá cheguei ao terminal rodoviário das Caldas da Rainha...



Fui ao guiché e comprei um bilhete ida e volta para Óbidos... Por apenas cinco minutos, uns míseros 5 minutos, não apanhei um autocarro que tinha acabado de sair para Óbidos, e o próximo seria apenas dali a uma hora. Então, e como era a primeira vez que eu punha os pés nas Caldas da Rainha, pois, apesar de já ter passado por lá imensas vezes nas minhas viagens de autocarro da Rede Expresso, nunca tinha lá saído, então, aproveitei essa hora para fazer um pequeno passeio que, como vão ver, quando fui dar por mim, de "pequeno" nada teve! Incrível o que eu consegui ver em menos de uma hora!

Não admira que eu tenha conseguido ver tanto da cidade de Roma, em apenas dia e meio, e essas publicações estão a demorar tanto tempo a escrever, pois são tantas as fotos, detalhes, dicas e pormenores que quero partilhar convosco, que vou demorar mais tempo a escrever sobre as minhas viagens, que a viajar...

Só este meu breve passeio pelas ruas das Caldas de menos de uma hora vai dar para duas publicações!
Se calhar partilho demasiadas fotos, mas eu adoro partilhar o que vejo convosco, e dar a oportunidade a quem nunca foi a estes locais, ou talvez nunca poderá ir, desta forma, através destas minhas publicações, poder desfrutar da "viagem".... O que acham? Partilho demasiadas fotos e informação?... Ou gostam destas minhas publicações sobre as viagens que faço tal como são?


 É por este lado do terminal rodoviário que os autocarros saem...


Comecei logo a ver azulejos por todo o lado. Não tinha conhecimento de que as Caldas tinham uma riqueza arquitectónica em azulejos tão grande, conheço a cerâmica das caldas, e até mesmo a mais conhecida e típica representante das "partes masculinas" :P das Caldas, mas a nível dos edifícios, não fazia a mínima ideia, e fiquei encantada.
Os revestimentos cerâmicos de fachadas constituem uma das imagens de marca das Caldas. Os azulejos, na maior parte dos casos originários das fábricas locais, funcionam mesmo como um dos traços mais distintivos do seu novo mapa arquitectónico, que começou a ganhar corpo a partir de meados do século XIX, quando a cidade se impôs como estação balnear na moda.
Há um projecto de classificação e recuperação destas "casas de loiça", que está longe de ser implementado. Não havendo uma estratégia concertada, algumas fachadas foram já reabilitadas pelos donos das casas, mas outras inclusive de edifícios públicos estão degradadas se não mesmo devastadas. Isto para já não falar dos prédios de óbvio interesse patrimonial demolidos, logo a começar pela casa em que viveu Rafael Bordalo Pinheiro.
O que subsiste justifica mesmo assim um passeio demorado, até porque um itinerário pelas fachadas de azulejos pode constituir uma excelente introdução à cidade singularizada por um notável conjunto de edifícios românticos e arte nova. O visitante poderá solicitar uma visita guiada ao Museu de Cerâmica, mas também traçar o seu próprio itinerário recorrendo a um mapa da cidade e documentação complementar disponível na Livraria 107, na rua das Montras, que é especializada na temática caldense. Os pontos mais prováveis de partida e chegada serão a estação ferroviária e os museus, situando-se quase todas as fachadas de interesse entre esses dois extremos.
Entre os revestimentos cerâmicos de fachada mais distintivos encontram-se, previsivelmente, os rubricados por Rafael Bordalo Pinheiro. Excelentes exemplos da sua fase arte nova encontram-se nos frisos de azulejos relevados de parra de videira (ou folhas de plátano?) que decoram a Padaria Teixeira e Irmãs, no nº34 da rua das Montras (que também ostenta bustos de Bordalo e Lapissy); nos azulejos do padrão gafanhoto nas floreiras do palacete Visconde de Sacavem e nos azulejos do padrão rãs e nenúfares da Fábrica de Faianças. Outras criações de Bordalo dignas de nota são os ninhos e os azulejos do padrão Quinta da Bacalhoa, no nº48 da praça 5 de Outubro, os azulejos do padrão estrela nos nº57 (museu do ciclismo) e 41/47/49 (Pastelaria Machado) da Rua de Camões ou ainda do padrão renascença na fachada da estação de combóios. Estão, no entanto, muito degradados, ao contrário dos painéis de azulejos bicromáticos na mesma gare produzidos pela Fábrica Aleluia, que também merecem ser vistos, até porque integram uma retratação de Bordalo modelando.
Muitas outras fachadas de revestimento cerâmico são dignas de interesse, desde as de azulejos de estampilha que foram moda na segunda metade do século XIX (pastelaria Bocage e Análises Dr Artur Maldonado Freitas na Praça da República) às de azulejos modernos saídos da fábrica Secla nos anos 60 e 70 (Tália, rua Almirante Cândido dos Reis, nº33, Óptica Ramiro, rua José Malhoa, nº13). Depois há painéis de azulejos (como o de Hansi Stäel representando a família a entrada de uma vivenda na rua Dr. Augusto Saudade e Silva, nº2) e tabuletas de azulejos (na Praça da República e com assinatura de Bordalo).
Imperdíveis são ainda as esculturas que ornamentam o jardim e a fonte da fábrica de faianças artística Bordalo Pinheiro, conjunto que integra Romeu e Julieta representados por um casal de rãs, uma abelha gigante, tartarugas e rãs em tamanho natural. Algumas destas peças foram transferidas do parque Carlos I, onde infelizmente muitas outras foram roubadas ou destruídas.
Luís Maio (PÚBLICO)



Então, lá me meti eu a caminho, sempre presente no pensamento nunca perder o terminal de vista, não fosse o caso de eu me perder pelas ruas e depois perder o autocarro. Claro que acabei por me perder nas ruas, mas não perdi o autocarro. :P
Ainda era cedo quando aqui cheguei, ainda nem 09:00 eram... Estava bastante fresco...


A Rota Bordaliana surge nas Caldas da Rainha da vontade da cidade em homenagear uma figura incontornável de âmbito nacional que abraçou esta terra como sua casa.
Rafael Bordalo Pinheiro deixou a sua marca e a cidade, mais de 100 anos depois, decidiu mostrar o seu apreço criando uma rota com réplicas das obras que o imortalizaram.
Num percurso com 20 figuras Bordalianas produzidas em escala gigante, vais também poder conhecer as Caldas da Rainha numa forma diferente e enquadrada na obra do grande mestre.
A Rota Bordaliana tem todos os condimentos necessários para passares um dia agradável na cidade! IN: pt.gocaldas
3ª Peça Rota Bordaliana – Zé PovinhoNo final da Avenida 1º de Maio encontras a praça 25 de Abril, o centro burocrático da cidade, com a Câmara Municipal, Tribunal e também a Igreja Nossa Senhora da Conceição.
Frente ao edifício da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, está imortalizado o Zé Povinho, personagem criada por Rafael Bordalo Pinheiro em 1875 no jornal humorístico “A Lanterna Mágica“.
O Zé Povinho não era mais que uma caricatura do passivo povo português, abusado pelo poder, que apesar de tudo era capaz de se rir desse seu mesmo fado e responderia claro com o Manguito, esse gesto que ironiza e simboliza o espírito do povo ao sentir-se enganado. IN: pt.gocaldas.com

Igreja Nossa Senhora da Conceição
Concluída em tempo recorde, 426 dias para sermos mais exactos, a Igreja Nossa Senhora da Conceição é um projecto do arquitecto Vasco Regaleira.
Foi inaugurada a 21 de Outubro de 1951 no Borlão, à época uma zona não urbanizada, e foi também o primeiro edifício da actual e recentemente remodelada Praça 25 de Abril.
A sua imponência marca claramente uma posição de destaque nesta praça, fazendo da Igreja Nossa Senhora da Conceição a principal atracção patrimonial da zona.
O edifício nas traseiras da Igreja Nossa Senhora da Conceição, de fachada arredondada, que faz parte do complexo, foi acrescentado no início da década de 90 do século XX.
Tanto para aqueles que gostam de apreciar arquitectura como para os que gostam da arte religiosa a Igreja de Nossa Senhora da Conceição é um ponto de paragem obrigatória. In: GoCaldas


Por esta altura já estava eu encantada com a cidade, então lá continuei eu o meu passeio, já muito entusiasmada!







1ª Peça Rota Bordaliana – Rãs de Boca Aberta e Rã GiganteA Rota Bordaliana começa frente à Estação de Caminho de Ferro da cidade, este ponto é emblemático pois o comboio era o transporte usado por Rafael Bordalo Pinheiro nas suas deslocações entre Lisboa e Caldas da Rainha. A Estação de Caminho de Ferro foi aberta à exploração pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses em 1 de Agosto de 1887.
Na Estação de Caminho de Ferro encontras na sua fachada painéis de azulejos mostrando figuras e espaços emblemáticos da cidade. Estes azulejos foram produzidos pela Fábrica de Faiança das Caldas da Rainha num padrão de Renascença.
Na fachada interior da estação encontramos painéis de azulejos de estilo faiança azuis e brancos. São 11 os painéis produzidos na Fábrica Aleluia (Aveiro). Estes painéis representam lugares/monumentos e cenas etnográficas da região e da cidade. Mas também contempla retratos da Rainha D. Leonor, fundadora da cidade (séc. XV) e do artista Rafael Bordalo Pinheiro no seu atelier.
Imortalizada frente à estação encontra-se uma rotunda repleta de Rãs (mais pequenas) e uma Rã Gigante (Réplicas de um modelo do ano de 1945, inspiradas na produção naturalista do mestre Rafael Bordalo Pinheiro), acompanhado de pequenos nenúfares (Palmatória Nenúfar), modelo do ano 1920 de autoria do filho do mestre, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. In: pt.gocaldas.com


E aqui eu já tinha chegado até ao fim da avenida, a subir, sempre a direito, ia dar ao terminal, e não queria mesmo perder de esta avenida de vista, mas fiz esta caminhada nuns 10 minutos e ainda tinha tempo para gastar, por isso, aventurei-me numa transversal, sempre presente que, na rua oposta estaria o terminal... E assim foi, até eu me distrair com os edifícios e belezas que ia descobrindo, e acabei por me embrenhar mais do que pensava...! :P






Entrei na estação, para ver como era...





Uma coisa que adorei nas ruas das Caldas, é que além de ter o nome das ruas nas paredes, e bem bonitos, em azulejo, tem também o nome da rua ou da avenida no chão, em letras bem grandes, o que é excelente para nos orientarmos! Claro que mesmo assim eu me perdi, porque nunca tinha ali estado, mas ao menos sabia sempre onde estava...



Eu ainda não tinha tomado o pequeno almoço, então comecei a ver onde se podia comer, e os preços...





Adoro! xD

2ª Peça Rota Bordaliana – VespaSegue a avenida que se estende à tua frente (Avenida 1º de Maio) até ao momento que à tua direita encontras uma outra avenida (da Independência). Corta e logo encontras um parque infantil.
No topo do edifício onde está o café, encontras “A Vespa”, cuja original que tem a particularidade de ter sido exposta na Exposição Universal de Paris de 1889. Esta é uma réplica agigantada do modelo de 1889. IN: gocaldas







Bombeiros voluntários das Caldas da Rainha









Cada vez vejo menos estas típicas tabacarias, e recordam-me tanto a minha infância, quando ia comprar as revistas para a minha avó, e me davam moedas para comprar os livros de banda desenhada da "Turma da Mónica" e do "Tio Patinhas"...









Conseguem ver a boneca de pé, no canto inferior direito desta foto?







Aqui, eu já estava algo perdida, pois em vez de seguir sempre a direito no que seria a transversal à estação, comecei a entrar por caminhos que me chamaram a atenção, mas estava tão entusiasmada que não me importei, e se tivesse de esperar outra hora pelo autocarro, vi que também não iria custar nada a passar o tempo, pois havia mesmo muito para ver só naquele espaço à volta do terminal. E quando dei por mim...


... cheguei a um mercado! Já vos disse que ADORO mercados? ADORO MERCADOS!

No próximo post, a continuação deste, vou mostrar-vos fotos deste maravilhoso e colorido mercado, e um pouco da sua história também :)

Quem já foi às Caldas da Rainha? Quem é de lá? O que acham deste meu passeio até agora? 

Textos informativos sobre a cidade e sobre a rota bordaliana do site pt.gocaldas

6 comentários:

  1. Há uns anos atrás fui algumas vezes às Caldas da Rainha e reconheci alguns dos espaços por onde andei nas tuas fotos. Agora, se lá fosse novamente, levava as tuas dicas para estar mais atenta aos pormenores. Os azulejos nas casas fazem-me lembrar o Porto.

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    1. Ah, era mesmo essa a minha intenção, dar a descobrir pormenores que podem passar despercebidos até para quem lá vive :D Fico muito contente com as tuas palavras. Por acaso, tenho um "dom" para captar pequenos detalhes, no entanto se for preciso, os grandes, enormes, por vezes passam-me ao lado =P

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  2. Nunca lá estive.
    Fotos e informação em dose certa, obrigado pelos ensinamentos, especialmente históricos que me transmites, é tão gratificante que nem fazes ideia, adoro todos os pormenores, descrições, fotos... :)

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    1. Obrigada pelas palavras Tina, nem imaginas o importante que são para mim! ❤
      É mesmo isso que eu pretendo transmitir :D

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  3. Respostas
    1. Mágico e encantador, cheio de beleza, lendas, história e segredos ;)

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