Opinião: A Biblioteca dos Livros Proibidos | Tom Pugh

Poderá o conhecimento mudar o mundo?
Sinopse: Janeiro de 1562. A Europa é o epicentro de uma verdadeira luta entre a luz e as trevas. Em Moscovo, Matthew Longstaff tenta cumprir a missão que lhe foi confiada: roubar um livro da biblioteca privada de Ivan, o Terrível. Longstaff trabalha para os Otiosi, um grupo clandestino de livres-pensadores determinado a manter acesa a chama do livre-pensamento que começa a expandir-se por toda a Europa. Também a trabalhar para os Otiosi encontra-se o médico e aventureiro Gaetan Durant, encarregado de obter um palimpsesto raro.
Numa Itália mergulhada na Contrarreforma os inquisidores do papa mostram-se determinados a destruir qualquer foco de conhecimento livre. O seu líder, Gregorio Spina, chefe censor e espião do papa, captura o líder dos Otiosi em Florença e tortura-o em busca de informações. Os segredos da Biblioteca do Diabo podem estar ao alcance de Spina, e os primeiros passos dados pela humanidade em direção ao Iluminismo correm o risco de serem apagados da História.

Ao tempo que eu não lia um livro passado na época medieval, que saudades! É um dos meus géneros preferidos.
Neste caso, o que eu senti ao ler este livro, foi que estava a ler Dan Brown estilo medieval! Sim... Houve uma altura, em que eu, que estava deitada a ler, até me sentei e meti-me direita, a absorver tudo, com o livro quase encostado ao nariz! Senti-me novamente com 16 anos, a ler "O Código DaVinci" pela primeira vez e a ficar totalmente arrebatada com as revelações! Não conseguia parar de ler!
Neste livro estamos num período activo da inquisição, inquisição essa que é como uma espinha encravada na minha garganta, desde o primeiro livro que li sobre a mesma, quando tinha uns 11/12 anos e depois mais tarde fiz um trabalho de pesquisa para a disciplina de história e ainda mais revoltada fiquei... Como se atreveram? E com a lata de ser em nome Dele? Como se atreveram?...

O fanatismo religioso é algo que eu não compreendo, não é suposto as religiões serem guias, lições de vida? Porque é que a religião leva sempre ao fanatismo e má interpretação por parte daqueles que, ignorantes sem fim, são precisamente esses os que detêm o dinheiro e o poder, e reviram tudo à sua vontade?... É revoltante...

Mas pronto, ponde de lado essa "espinha", agora fiquei na dúvida se alguns dos factos ali retratados têm algum fundo de verdade ou não, e descobri que sim!
Martinho Lutero: A reforma Protestante desencadeada por Lutero, em 1517, mudou a história da religião cristã, mas os investigadores destacam ainda o seu impacto na educação, particularmente nos países do centro e norte da Europa, que apostaram na alfabetização da população.
Há 500 anos, a 31 de outubro de 1517, o monge Martinho Lutero afixou na porta da igreja do castelo de Vitemberga, na Alemanha, 95 teses que deram início à reforma protestante, um cisma da Igreja Católica que mudou a Europa. E, conta-nos o livro “A grande rutura - Olhares cruzados sobre Lutero e a Reforma protestante”, coordenado pelo teólogo Porfírio Pinto e editado recentemente pela editora Paulinas, a ideia era convocar uma disputa académica que nunca aconteceu. IN 24.sapo
A Ordem dos Beneditinos: Durante vários séculos, a Ordem fundada por S. Bento em 529 no convento italiano do Monte Cassino foi uma das mais famosas no Ocidente. Comprometidos com o voto de pobreza, o amor a Deus e ao trabalho, os monges eram um exemplo de prestígio e prosperidadeNos conventos beneditinos o tempo não se gastava em contemplações, porque a ociosidade, como defendia o seu fundador, era a maior inimiga da alma. Os monges entregavam-se a Deus e ao trabalho manual, em regime de pobreza voluntária e castidade absoluta. Eram eles engenhosos cultivadores das terras que lhes eram doadas por reis e devotos, leitores atentos de livros santos e hábeis copistas de obras antigas, sagradas e profanas. In ensina.rtp
Tito Lucrécio Caro: um escritor maldito há mais de dois mil anos, de poeta louco a fundador da modernidade
“Portanto nenhuma coisa regressa ao nada,/
mas todas regressam por desagregação aos átomos da matéria.

(…) Portanto não perece completamente tudo aquilo que parece morrer,/
porque a natureza forma de novo uma coisa a partir de outra,/
e não permite que nada seja gerado senão com a ajuda da morte de outra coisa.” (Livro I)
Este poema filosófico procurava fazer entrar em Roma o sistema desenvolvido pelo grego Epicuro (341-271a.C), em especial os princípios da física e ética hoje conhecida como epicurismo e cujas proposições basilares repousam sobre a doutrina atomística de Demócrito. O universo, segundo estes filósofos antigos, é totalmente composto por átomos e vazio, a vida humana deve orientar-se na busca dos prazeres e da liberdade que levem à sabedoria, o único bem terreno. IN observador
Epicuro de Samos: Considerado um filósofo grego do período helenístico, Epicuro de Samos teve uma obra tão influente que fez com que diversos e numerosos centros epicuristas fossem construídos no Egito, mais precisamente em Jônia. Seu maior divulgador foi Lucrécio, que começou a espalhar sua filosofia em Roma no século I. In infoescola
A ligação entre o Deus Saturno e Satanás, bem... ainda estou a remoer tudo aquilo que estive a ler, fascinada... Desconhecia a maior parte destes factos, aprendi imenso a ler este livro que se baseia em factos reais, com personagens mito bem construídas, com detalhes da época realistas e bem explícitos. Diálogos bem formulados, é uma leitura fascinante e intensa. 
Só fiquei algo desiludida com o desfecho, pois partiu-me o coração e há uma parte que fica algo em "aberto" e eu gostava mesmo de saber a resposta...

No entanto, é uma bruta leitura que me deixou fascinada com os seus mistérios e revelações, e com a esperança de que esta biblioteca e outras semelhantes, ainda estejam escondidas e preservadas, à espera por serem descobertas pelas pessoas certas, e se forem, que essas descobertas não sejam ocultas ou filtradas por quem essas descobertas comprometem...


18 comentários:

  1. Não li este livro, mas gostava. É tão bom quando se aprende com as histórias. Há momentos negros da História mas, felizmente, também existem pessoas que lutam por um mundo melhor.

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    1. Sim, isso é verdade, felizmente temos os hérois, que a bem ou a mal sempre dão o seu contributo e é o que vai safando a história...
      Mas por acaso, o motivo de eu gostar tanto de romances históricos é precisamente esse, não só estou embrenhada num romance, como ainda vou aprendendo imenso pelo caminho, cultivo a minha cultura e sinto-me como se vivesse a história em primeira mão... é fantástico :D

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  2. Deve ser uma excelente leitura! Já está na lista 😁

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  3. Ainda está por ler (na estante à espera de vez). Mas é bom saber que vale a pena ler! Obrigada pela sugestão! Continuação de boas leituras!

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    1. Que bom! Vai ser uma boa companhia quando chegar a vez ;)

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  4. Fiquei cheia de vontade de aprender com este livro!

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    1. As coisas na história que ainda temos para descobrir, incrível...
      Mas o mais incrível e terrivelmente deprimente, são aquelas que nunca descobriremos, por se terem perdido os registos... :(

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  6. Fiquei curiosa, adoro história e tenho realmente muita pena quando vejo notícias de que se perderem registos e artefactos de tempos idos que nunca recuperaremos...

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    1. Sim, é de partir o coração, sabe-se lá o quanto já podíamos estar evoluídos com os conhecimentos perdidos ou ainda por descobrir...

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