[Opinião] O Poder | Naomi Alderman

4 de setembro de 2018

Romance vencedor do Baileys Women's Prize para ficção 2017

SINOPSE
Quando as raparigas ganham o poder de causar sofrimento e morte, quais serão as consequências?
E se, um dia, as raparigas ganhassem subitamente o estranho poder de infligir dor excruciante e morte? De magoar, torturar e matar? Quando o mundo se depara com esse estranho fenómeno, a sociedade tal como a conhecemos desmorona e os papéis são invertidos. Ser mulher torna-se sinónimo de poder e força, ao passo que os homens passam a ter medo de andar na rua, sozinhos à noite.
Ao narrar as histórias de várias protagonistas, de múltiplas origens e estatutos diferentes, Naomi Alderman constrói um romance extraordinário que explora os efeitos devastadores desta reviravolta da natureza, o seu impacto na sociedade e a forma como expõe as desigualdades do mundo contemporâneo.

Uma curiosidade que adorei neste livro, foi o pormenor fantástico e super original da própria capa.
A capa é de um material que parece borracha, e as linhas prateadas que saem das mãos, que representam energia, à luz do sol brilham de tal forma que parecem pequenos relâmpagos, é fantástico, nunca vi uma capa assim tão original e em sintonia tão perfeita com a história!

E falando na história, esta história, que é claramente uma distopia, recria um mundo inverso ao que vivemos, um mundo que seria controlado pelas mulheres, e não pelos homens.
Um mundo em que são as mulheres que têm o poder sobre a vida e a morte e sobre a própria sociedade, através dos seus poderes, que se traduz em conseguirem produzir e controlar electricidade com os seus corpos (como as enguias), o que lhes confere, basicamente, o poder de matar com um simples toque.

Os homens, principalmente os do médio oriente (e similares), vendo-se privados do poder, nesses países onde as mulheres são tão pouco tidas em conta, não ficam nada contentes, e então surgem batalhas, guerras e actos de terrorismo contra as mulheres, que claro, vão retaliar.

A premissa é excelente, e eu no início estava tremendamente embalada com a história, quase sentia "o poder", tal é a intensidade da narração sobre o que sente a mulher quando o poder desperta dentro de si,  eu até me arrepiava toda e ficava com os braços em pele-de-galinha...

No entanto, lá mais para o meio, a história começa a ter uma conotação religiosa e opressiva, selvagem e política, basicamente igual ao que os homens começaram a fazer em tempos idos e nos dias de hoje, mas desta vez por parte das mulheres... E isso desiludiu-me.
Atrocidades cometidas por mulheres, complemente desnecessárias e esse factor, juntamente com um ritmo algo repetitivo, começou a complicar um bocado o meu interesse na leitura...

Mas a minha curiosidade em saber como iria terminar lá me fez chegar ao final, e ainda bem, pois acabou por ser uma boa leitura, viciante de tal forma que eu até cheguei a sonhar com isto!

Este livro fez-me pensar muito, e vai fazer pensar todos os leitores, sejam eles mulheres ou homens.

Se fossemos, desde o início dos tempos, tratados como iguais, o mundo seria um lugar maravilhoso para se viver, disso não tenho dúvida, se não maravilhoso, (pois a ruindade anda sempre por ai), acredito que, no mínimo, viveríamos num mundo muito melhor do que aquele em que vivemos, passado e presente...

A opressão não faz bem a ninguém, seja a quem for que seja dirigida...

Nunca devemos fazer aos outros o que não gostamos que nos façam a nós, se o fizermos, então não seremos melhores do que aqueles que nos fazem mal, de facto, seremos até piores, pois temos a oportunidade de sermos íntegros a nós próprios e não o somos...

Adorei as reflexões finais, em forma de troca de cartas entre um homem e uma mulher, adorei os desenhos ilustrativos, de descobertas arqueológicas, que tanto realismo deu ao livro, e fez-me reflectir imenso sobre a vida, sobre a nossa história, sobre tudo aquilo em que acreditamos e parte desse acreditar ter sido manipulado por aqueles que alteram a história à sua conveniência...


12 comentários:

  1. Este está em lista.
    Não sabia que tinha atrocidades cometidas pelas mulheres (fiquei desolada), mas ainda bem que não desististe, afinal a mensagem está lá.
    Que opinião e descrição arrebatadora.

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    1. Acho que vais gostar de ler este livro e reflectir sobre o seu conteúdo... ;)

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  2. Parece um livro muito interessante! Despertou curiosidade

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  3. Está na minha wishlist desde que saiu, estou muito curiosa e esta opinião ainda aguçou mais a minha curiosidade. :)

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  4. Mais um livro que tenho nas minhas estantes e que ainda não li (tenho que pegar nele :) )

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    1. Força, quando tiveres com a disposição de ler distopias e conflitos entre géneros e uma leitura que precisa de concentração, mas acaba por ser introspectiva... :)

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