Opinião: A Ilha das Quatro Estações | Marta Coelho

SINOPSE: Aqui não são permitidos telemóveis, computadores nem tablets. Só te resta viver. Onde todos os sonhos são possíveis.Este é o livro com que todos os jovens se conseguem identificar, uma história atual e relevante sobre os receios, as paixões, as fragilidades e a força de quatro jovens à procura de um novo rumo.Cat sentia-se sem rumo e não queria ver ninguém.Tiago só desejava poder voltar a viver como antes.Misha isolara-se do mundo à sua volta.Rute precisava de vencer uma batalha muito dolorosa.Os seus caminhos cruzam-se na ilha e, juntos, preparam-se para enfrentar os seus demónios pessoais. Mas há quem tenha outros planos para eles…Será que a tua vida pode mudar quando tudo parece correr mal?

Acredito que adolescentes (ou adultos) que gostem de leituras leves e nunca tenham lido muitos livros deste género possam delirar com este livro, e considerar muito romântico e interessante...

Já eu fiquei tremendamente desiludida com esta leitura, estava à espera de muito mais... Houve diversas alturas em que foi um martírio ler esta história e tive muitas vezes para desistir da leitura. E todas essas vezes foi nas partes entre a Catarina e o Santiago, que para mim são tão agonizantemente repetitivas e tão, mas tão, mas TÃO lamechas, mas do género lamechas mesmo agoniante em que aquilo para mim era como comer às colheres açúcar puro, mel, nutella, caramelo, tudo misturado numa mistela tão doce, tão doce que até fazia arrepiar os dentes.

O livro nem está mal escrito, a escrita é fluída e tem uma premissa muito interessante, mas...

Foi demais, para mim foi excessivo e cheguei a saltar essas partes entre eles dois e a dada altura cansei-me mesmo daquilo, porque para a minha pessoa nada lamechas há limites, e aquelas partes ultrapassou-as todas. O romance é bem vindo, mas quando é usado em demasia e de forma tão infantil, cansa. É uma pena tantas folhas desperdiçadas nesse romance lamechas e ainda por cima auto-piedoso, de forma a que as outras poucas personagens, uma ou outra que até têm uma dose certa dose de interesse, especialmente a Rute que foi quem gostei mais, ficam delegadas nem sequer para segundo lugar, mas bem para trás, porque a sensação com que fiquei no final é que o livro é quase exclusivamente sobre a Catarina e o Santiago, com algumas coisas que se vão passando e personagens que vão aparecendo e contando (muito brevemente) o motivo pelo qual estão na ilha pelo o meio. E o pior é que essas coisas que se vão passando, os supostos mistérios, para mim foram tão, mas TÃO previsíveis, que eu no início do livro já estava a desconfiar do desfecho do mesmo, e assim foi.

E mais: enquanto há livros que saturam pela quantidade excessiva dos detalhes, este é o oposto, não tem quase detalhes nenhuns. Então e tudo o resto que se passa na ilha, e quem lá está, e como funciona precisamente e porquê e com quem, e não há mais personagens, só aquelas poucas e "outras pessoas do grupo" ou os que lá vão passar férias? E o resto? Comem, dormem, andam de um lado para o outro, e o resto? Para mim esse factor tirou o realismo da história, e quando eu leio um livro eu gosto que me transporte para dentro da história, mas não me senti minimamente transportada...

Também considero que não há uma boa distinção entre personagens, na maior parte das vezes eu já nem sabia sobre a perspectiva de quem eu estava a ler, porque parece que todas pensam da mesma maneira, sofrem igual, e estão sempre, sempre a chorar, a terem pena deles próprios e aos abraços.... Tanto choro neste livro! No início, quando aparecia uma personagem nova eu até ficava entusiasmada, podia ser que a partir dai a leitura ficasse melhor, pois tem meios para isso, a premissa é interessante, mas depois da novidade passar em pouco mais de uma página lá voltava ao mesmo...

10 comentários:

  1. Se já não tinha muita curiosidade com este livro, agora não devo mesmo ler. Gosto de leituras mais leves de vez em quando mas que sejam equilibradas.

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    1. Se quiseres que te empreste para tirares as tuas próprias impressões, basta pedires ;)

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    1. Que bom! :D
      Já eu me inclino para outro tipo de leituras... ;)

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  3. Sou mãe e um adolescente que não se deixa impressionar por qualquer livro. Tem 15 anos. Ele leu o livro da Marta Coelho e gostou imenso. Sentiu que os conflitos que as personagens viviam eram interessantes, identificou-se com personagens. O livro, desde então, tem andado a circular entre os colegas de turma. Tudo adolescentes que gostam de ler e que têm critério nas escolhas literárias que fazem. Que não viram os Morangos com Açúcar. O meu filho apresentou o livro na escola e a apresentação que fez cativou tanto os colegas que, durante meses, o livro não voltou a casa. Passou pelas mãos de vários, andou por aí a ser lido. Chegou agora, no início das férias. Acho que o que cativa os adolescentes é o pensamento das personagens, o seu mundo interior. Não é fácil conquistar os adolescentes e a Marta conseguiu atingir esse objetivo. Outro aspeto na escrita da Marta, que tem a ver com a própria autora, é a bondade das personagens. A forma como, através da bondade, conseguem ir resolvendo as dificuldades e sofrimento que enfrentam. Penso que é apressado considerar que o livro ou as personagens não têm camadas. Elas estão lá, mas são subtis. É verdade que a bondade não está na moda, mas, nos tempos que vivemos, conquistar adolescentes exigentes com uma história que vive do pensamento/mundo interior das suas personagens e da sua bondade, é algo precioso.

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    1. Olá Rakel,
      Obrigada pelo excelente comentário e opinião, fiquei encantada! :D

      Não sei se eu tivesse lido este livro enquanto adolescente a minha opinião seria diferente, pois mesmo entre adolescentes cada um tem a sua personalidade, forma de ver a vida e desenvolvimento. Eu fui uma adolescente muito séria e rebelde, sempre revoltada com muita coisa, ávida pela vida adulta e pouco romântica, e portanto estas histórias de envolvimento algo lamechas nunca me disse nada, seja enquanto adolescente ou agora em adulta. As redes sociais e esta enorme dependência das tecnologias dos nossos dias não faziam parte da minha adolescência, por isso é outro tópico que não me cativa....

      Quando fiz 15 anos, decidi que queria ser psicóloga, com a especialidade em psicologia adolescente, pois sentia-me tão, mas tão incompreendida, que prometi a mim mesma, quando adulta, não me esquecer a luta que é ser adolescente ... E não vou dizer que acabei por me esquecer, pois sinceramente ainda me sinto em grande parte adolescente... No entanto já não tenho paciência para certas imaturidades e incoerências dos reais adolescentes, e certos tipos de séries/leituras direccionados a este público já não me fascina, especialmente quando anda demasiado à volta das incertezas e indecisões... Eu sou realista e directa e gosto de coisas realistas e directas...

      No entanto, uma série e livros pelos quais me apaixonei e estou tremendamente fascinada, e que eu acho que deveria de ser obrigatório para todos os adolescentes verem/ler na escola (ou no mínimo em casa) seria:
      Os dois últimos livros de Becky Albertalli: Os altos e baixos do meu coração e O coração de Simon contra o mundo,
      e a irreversivelmente arrebatadora série (duas temporadas até agora): "Por 13 Razões".

      Este sim, eu, pessoalmente, creio que tocam TODAS as temáticas da vida, sentimentos e pensamentos adolescentes, e ainda ensinam muitas verdades e revelam outras verdades ainda maiores e por vezes arrebatadoras de ser adolescente e da própria vida...

      E esses sim, realidades puras e duras são o que me cativam, mas claro que tem de haver livros de puro romance e drama adolescente, e por isso felicito esta autora e toda/os os outros que nos oferecem este universo, e esperemos que venham mais livros do género que cativem a leitura entre os adolescentes, que é bem preciso! :)

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  4. Li este livro e, não tendo uma opinião tão negativa quanto a tua, não me encantou por aí além. Como tu, acho que faltam informações na história e algumas partes são, de facto, um pouco lamechas. Penso que o facto de ser mais velha do que o público a que se destina primordialmente o livro influencie a maneira como vejo a construção da história.

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    1. Ui, "opinião tão negativa", espero não ter dado exactamente esse parecer, porque não é que seja assim tão negativa, até está bem escrito o livro, só que a história em si, à minha pessoa, não cativou minimamente, sinto que falta imensas coisas, algumas incoerências, e demasiado lamechas para o meu gosto, muito "Morangos com Açúcar" para mim, mas há quem tenha gostado muito, e ainda bem :)

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  5. tambem tenho colegas que nao acharam muita piada

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    1. Pois, este é daqueles livros que, ou se gosta muito, ou nem por isso.... Não pela escrita, mas pelo conteúdo pela história em si, que a mim não me cativou...

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